De Surfista de Cristo a Vice Prefeito da Capital

Família Bita e Cláudia     Foto de Luiz PeixotoBita e Cláudia 2 Foto de Luiz Peixoto

Sempre fui um garoto aplicado na escola, tirando excelentes notas e chegando a ganhar medalha de melhor aluno de um colégio muito bem conceituado de Florianópolis. Jogava basquete, mas queria um esporte onde não tivesse que dividir a vitória com outros. Foi então que optei pelo surf.
No meio de toda esta história tinha um vazio muito grande em meu coração que tentei preencher com namoradas, viagens ao exterior (minha família tinha um nível de vida bastante alto e podia me proporcionar o que eu desejasse), amigos, festas, passei no vestibular e ganhei um carro, namorava até uma miss, mas nada disso me fazia a cabeça, bem pelo contrário, sentia que a cada dia a euforia passava e o vazio continuava.
Foi então que me apresentaram as drogas. Durante dois anos me afundei usando direto e não conseguia mais passar sem ela… e o vazio foi aumentando. Até que um dia após ganhar um campeonato, deixar a namorada em casa, indo em meu carro novo para o apartamento na beira-mar, um amigo me disse a frase
que ficou martelando minha cabeça: – Bita, você deve ser o cara mais feliz do mundo! Eu olhei para ele e, sinceramente não consegui responder aquela frase com convicção. Aos 21 anos de idade uma idéia passou a ser fixa em minha mente: desejo de morrer. Aquele desejo não saía da minha mente e comecei a pensar em várias maneiras de alcançar meu objetivo. Nesta loucura toda, uma noite olhei dentro da gaveta ao lado de minha cama e lá estava uma Bíblia que os Gideões Internacionais haviam entregado no Colégio
Catarinense 11 anos antes. Peguei aquela Bíblia e ao abrir a primeira coisa que li foi: Jo. 3:3-5-
“E HAVIA entre os fariseus um homem, chamado Nicodemos, príncipe dos judeus. Este foi ter de noite com Jesus, e disse-lhe: Rabi, bem sabemos que és Mestre, vindo de Deus; porque ninguém pode fazer estes sinais que tu fazes, se Deus não for com ele. Jesus respondeu, e disse-lhe: Na verdade, na verdade te digo que aquele que não nascer de novo, não pode ver o reino de Deus. Disse-lhe Nicodemos: Como pode um homem nascer, sendo velho? Pode, porventura, tornar a entrar no ventre de sua mãe, e nascer?
Jesus respondeu: Na verdade, na verdade te digo que aquele que não nascer da água e do Espírito, não pode entrar no reino de Deus. “Aquela expressão: “nascer de novo” não saía da minha cabeça… Nascer da água e do Espírito… Eu precisava nascer de novo. Foi então que no dia 7 de julho, às 7:00h da manhã eu senti um impulso que me levou à praia do “Santinho”. Lá eu entrei no mar e dei o mergulho da minha vida. Desci até bater os pés no fundo de areia e voltei à superfície gritando:
Eu nasci de novo, eu nasci de novo!

Minha namorada da época olhou e pensou que tinha ficado pirado. Cheguei em casa comecei a gritar para os meus pais que havia nascido de novo e que a partir daquele dia não usaria mais drogas (detalhe: eles nem sabiam que eu as usava e ficaram apavorados). No mesmo dia passei por uma psiquiatra. Daquele dia em diante comecei a orar toda hora e me alimentar da Palavra. Como na minha cabeça “crente” era tudo o que representava cara fechada e tinham usos e costumes, eu continuei freqüentando a Igreja de tradição dos meus pais.
A sede por Jesus aumentava. Meus pais não se conformavam e não satisfeitos, me levaram a mais três psiquiatras que deram um mesmo veredicto: o que ele tem é uma admiração enorme por Jesus e isto ninguém vai poder tirar dele. Aleluia!!!
Neste tempo comecei a achar que praia não deveria ser o lugar de um cristão. Não estava mais conseguindo bons resultados nos campeonatos e pensava seriamente em parar de surfar, achando que isto era um sinal de Deus para que eu parasse. Na noite em que eu estava bem decidido a não ir mais à praia tive um sonho maravilhoso: Eu, entrando em uma igreja com uma prancha azul marinho escrito Jesus Salva em amarelo ouro. No outro dia mandei fazer a prancha e meu patrocinador da “Tropical Brasil”, Avelino Bastos relutou, mas fez a prancha com os detalhes que Deus havia me mostrado no sonho. Um mês depois saía no Fantástico uma reportagem feita pelo Cacau Menezes sobre a mudança de vida do hoteleiro surfista que virou surfista de Cristo. Naquele momento revi pela televisão as cenas do meu sonho: eu entrando em uma igreja, com a prancha e declarando que Jesus agora era o meu Senhor. Esta mesma reportagem passou no Esporte Espetacular e circulou por vários programas locais. Assim fiquei conhecido como o primeiro surfista de Cristo do Brasil.

No começo muitos amigos diziam que eu estava louco, principalmente quando resolvi evangelizar na própria praia, levando comigo a prancha. O primeiro campeonato nacional que participei com aquela prancha, fui escolhido como surfista revelação saindo uma reportagem na Revista Veja. Foi muito interessante, pois uma das baterias quem estava correndo como meu adversário era o Dadá Figueiredo; na época ele era doidão, punk e demonstrava um estilo de vida totalmente oposto ao meu. O Jornal Folha de São Paulo colocou uma matéria enorme com o título: “Deus contra o diabo”. Depois de mais ou menos dez anos Dadá Figueiredo foi a uma de nossas reuniões com surfistas e aceitou Jesus Cristo como seu Senhor e Salvador. Agora jogamos no mesmo time: mais do que vencedores. Assim como estes fatos com o Dadá muitos amigos tiravam a maior onda, tentavam me fazer fumar maconha novamente e fazer tudo aquilo que não fazia mais parte da minha nova vida. Estes mesmos amigos hoje me pedem oração, alguns já estão convertidos e outros admiram e respeitam muito nosso trabalho.
Neste tempo terminei com a namorada que tinha. Já conhecia a Cláudia, tínhamos namorado nos tempos de loucura. O que Deus fez foi maravilhoso: um mês antes de eu ler a Bíblia sozinho, ela se converteu e também mudou radicalmente de vida. Quando nos encontramos de novo já éramos novas criaturas e logo vimos que o sentimento do passado voltou muito forte e começamos a namorar. Fomos juntos para uma Igreja Evangélica e ficamos cada vez mais firmes e determinados em nosso propósito de pregar a Palavra. Namoramos dois anos e meio e casamos. Já estamos casados há 24 anos e temos dois fi-lhos: Paula (20) e Rubinho (13).

Na fase de namoro montamos uma reunião para “ATLETAS de CRISTO”. Muitos jovens se converteram atletas ou não. Fazíamos uma reunião semanal e quando íamos aos campeonatos pregávamos com a galera na praia ou à noite em hotéis e clubes. Foi um tempo de muita colheita. Fizemos durante anos uma vez por semana um show dos Atletas de Cristo na frente da Catedral.
Infelizmente não mais permitiram. Freqüentamos uma Igreja Batista e depois de muito tempo resolvemos sair. No mesmo mês entramos para outra Igreja Evangélica, onde fomos consagrados a bispos e ficamos durante 16 anos.
Em 2004 fomos convidados a ser vice-prefeito de Florianópolis, junto com Dário Berger. Como homem público tivemos a oportunidade de mostrar o quanto um cristão pode contribuir com sua cidade. Muitas foram às oportunidades de pregar sobre o amor de Jesus a diversas camadas da sociedade. Hoje ocupamos duas pastas na Prefeitura: Secretário para Assuntos Internacionais e Secretário de Defesa do Cidadão e Segurança Pública.
Em 2007, saímos da Igreja em que estávamos e fundamos outra aqui em Florianópolis, com o nome LIVRE EM JESUS. Lá evangelizamos, reunindo semanalmente para shows de rap e rock centenas de jovens e finais de semanas reunimos as famílias destes jovens. Podemos afirmar que seguir a vontade de
Deus é a chave da felicidade eterna, pois “estamos como quem sonha”.

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