O LOUVOR ACEITÁVEL

louvor2Como sou curioso, sentei perto dele porque tinha cara de doido, estava desalinhado e mal vestido. Eu queria saber qual era a desse excêntrico cidadão, que participava com vontade nos refrões litúrgicos, sem o menor embaraço. Na hora do louvor ele cantava de uma forma estranha, com frases rápidas, porém afinado. Percebi que quando estávamos no início de uma estrofe ele já estava na segunda pauta do côro, não tendo paciência nas pausas. Achei muito engraçado e não consegui conter-me quando inesperadamente ele tentou reverter um tom grave por um agudo que havia feito de forma equivocada – tive que sair com uma quase gargalhada entupida. Então nas reuniões seguintes fiquei a observá-lo discretamente e me divertindo, até esquecia de cantar. Mas o que realmente me chamou a atenção foi que mesmo cantando em alta rotação, ele não errava as letras, tampouco olhava para a tela audiovisual. Então fiquei ainda mais assustado ao descobrir que o doido da história era eu! de ficar sem louvar, observando os defeitos de um honrado filho de Deus que, apesar de suas limitações… fiquei envergonhado ao ser informado de que este é um grande homem, que com sua simplicidade é usado pelo Senhor no lugar onde vive, pregando o evangelho à sua forma. Sabe, quanto tempo tenho perdido dentro da igreja em crítica velada ou empenhado num louvor dominado por mero exibicionismo e vaidade pessoal! Se o meu objetivo é um encontro com o meu Criador, por que estou lá para não encontrá-Lo? Não importa se o meu irmão do lado sabe cantar ou não, se está bem vestido ou não, se é Procurador da República ou gari da Prefeitura, todos estão diante do grande EU SOU Criador do universo. Quando estamos diante de Deus, o menor desvio de atenção descaracteriza a adoração. O maior desafinado para Deus é aquele que se exime de louvá-Lo. Um desentoado e desritmado até no bater palmas, mas que abre a boca na hora de louvar, o seu canto passa pelos filtros da atmosfera e chega ao trono da graça como uma suave melodia. Naqueles momentos que eu não cantava, minha mente divagava com tudo o que não era solene – quanta silenciosa irreverência! Bem, o exercício da reverência começa fora do santuário – no dia-dia, em casa, nos relacionamentos, negócios, enfim quando estamos sozinhos. Que eu possa deixar a vaidade de lado, amar mais a meu irmão, independente de quem seja, para que o meu louvor a Deus seja completo, autêntico e aceitável.

Por: Rubens Silva

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