Como tudo começou?

É impressionante a maneira como algumas igrejas tratam suas páginas de apresentação na Internet. 95% não têm o resumo de sua história. Não se pode considerar resumo de história o espaço de uma linha com o título nossa história. Resumem tanto que só informam a data da organização e a lista de pastores que passaram por lá. Às vezes incompleta, equivocada. Mais nada.
Os livros de atas das igrejas muitas vezes não têm o devido resguardo e ficam arquivados em lugares nada recomendáveis: armários cheios de traças, salas multiuso (entulhadas). Isto quando um faxineiro desavisado não toca fogo em tudo para desocupar espaço, como tem acontecido. Amanhã, quando um jovem perguntar como surgiu esta igreja ou aquela, quem saberá contar?
Toda igreja deve ter alguém designado oficialmente e responsável pela preservação de sua história. É fascinante quando se abre o site de uma igreja e lá estão contados o seu início, os nomes dos membros fundadores, as lutas enfrentadas, as vitórias e a galeria de fotos dos pioneiros, com o devido período anotado embaixo da foto.
O comportamento indiferente à história das raízes da implantação do Evangelho nas cidades, relega a plano nenhum, de consideração, a luta que os antepassados travaram para que a liberdade religiosa fosse respeitada. Os que estão chegando precisam saber como tudo começou para valorizar toda essa conquista. Não foi nada fácil. Nos estudos dominicais, pelo menos uma vez por ano, as igrejas deveriam estudar a vida e a obra dos pioneiros do Evangelho na sua cidade.
“O pastor Bowen foi o primeiro missionário enviado ao Brasil pela Junta de Richmond, associação de igrejas batistas do Sul dos Estados Unidos. Sua missão era organizar uma igreja de língua inglesa para os imigrantes americanos. Também tinha intenção de trabalhar entre os escravos, já que vinha de um longo período como missionário na África, onde inclusive aprendera o dialeto iorubá, corrente entre os negros traficados para o Brasil”.
“Além de sofrer sérios problemas de saúde, o pastor foi impedido pelas autoridades de propagar uma mensagem cristã que se caracterizava pela distância com os ensinos católicos, até então a religião oficial do país”.

História dos Batistas

“Os primeiros missionários junto aos brasileiros foram William Buck Bagby, Zachary Clay Taylor e suas esposas (1881-1882). O primeiro membro e pastor batista brasileiro foi o ex-padre Antônio Teixeira de Albuquerque. Em 1882 o grupo fundou a Primeira Igreja Brasileira em Salvador, na Bahia. A Convenção Batista Brasileira foi criada em 1907”.

HISTÓRIA DO PROTESTANTISMO NO BRASIL

Assim como Dr.A.B. Christie, os missionários que vieram ao Brasil e se distribuíram por todos os estados brasileiros, tinham a tarefa de lutar pela liberdade do culto, evangelizar, plantar escolas, igrejas, orfanatos, desde a recente data de tolerância da igreja católica que durante mais de 300 anos perseguiu e proibiu qualquer entrada ou iniciativa contrária aos seus dogmas. Esses missionários lutavam pela liberdade religiosa.
A história registra: “Em virtude do predomínio do catolicismo no país e do fato de a Igreja Católica ser a religião oficial, os protestantes, tanto estrangeiros como brasileiros, enfrentaram sérios entraves ao longo de boa parte do século 19. Suas casas de culto não podiam ter a forma exterior de templos, os fiéis não podiam casar-se legalmente ou registrar os seus filhos, as crianças evangélicas sofriam discriminação nas escolas públicas e havia outras formas de intolerância aberta ou disfarçada. Outra restrição imposta aos protestantes dizia respeito aos cemitérios”.
Quem não fosse católico não tinha direito nem ao sepultamento nos cemitérios. Dentre milhares de fatos iguais um exemplo desta realidade aconteceu no dia 29 de setembro de 1867, em Iguape-SP, o líder religioso protestante, Frank McMullan faleceu e foi enterrado no quintal da casa de um outro alemão.
“Aos estrangeiros protestantes só cabia a opção de construir seus próprios cemitérios ao ar livre como era feito com os escravos e marginais”.
http://salvadorhistoriacidadebaixa.blogspot.com.br/2011/04/cemiterio-dos-ingleses.html

Em 1810, o artigo 12 do Tratado de Navegação e Comércio estabeleceu que “deveriam ser escolhidos alguns terrenos para servir de cemitério aos súditos britânicos que, por não serem católicos, não podiam ser enterrados em templos católicos ou em pequenos cemitérios a eles anexos, devendo ser enterrados em qualquer outro lugar: nas praias, nas campinas ou em outras áreas descampadas”.

Um apelo: pesquise a história da sua Igreja.

Para ler mais sobre o assunto, consulte os sites:
http://basilio.fundaj.gov.br/pesquisaescolar/index.php?option=com_content&view=article&id=567
http://www.mackenzie.br/10221.html
http://www2.uol.com.br/debate/1624/cadd/cadd.htm
http://www.pibrj.org.br/historia/arquivos/historia_batistas_I.pdf
http://pt.wikipedia.org/wiki/Conven%C3%A7%C3%A3o_Batista_Brasileira

Ivone Boechat