Quem é o pastor?

 

Quem é o pastor?

O pastor é um homem especial, tem uma chamada especial; mas continua ser humano. Suas reações, por mais discretas, dirigidas ou reprimidas, revelam ao filho menos atento quando alguma coisa entra em estado de alerta, abatimento, ou crise. Como homem, o pastor tem a necessidade de desabafar e de trocar experiências com alguém sobre suas preocupações, provações, decisões. Ninguém melhor do que sua esposa para ouvi-lo e ajudar nos impasses. Acontece que a mulher do pastor é mãe e seu comportamento emocional se altera e isto se reflete nas relações do lar. Mais cedo ou mais tarde o elo de preocupações estará feito e todo o grupo vai perceber e pode sofrer; até calado, mas sofre. Aprendi, bem pequenina, como filha de pastor, que: “em boca fechada não entra mosca”; “quem muito fala, muito erra”. “quem muito fala dá bom dia a cavalo”. “o peixe morre pela boca”.
Como as pessoas se esquecem de que o pastor é mortal, sujeito a erros, fraquezas, angústias, tristezas! É filho de Deus, com missão especial no reino e precisa da misericórdia constante para exercer esse ministério. No mundo acadêmico o verbo é saber. No mundo artístico o verbo é criar. No capitalismo, o verbo é ter. No ministério pastoral, o verbo é ser. Ser ministro do Evangelho é um grande privilégio. O Apóstolo Paulo concluiu: “Mas, pela graça de Deus, sou o que sou…” I Co 15:10.
Pastores são obreiros segundo o coração de Deus, homens segundo o coração de Deus; são aqueles que têm uma consciência amadurecida da sua condição diante do Senhor e da obra que têm para realizar. O pastor é um profeta; é porta-voz de Deus. “Não havendo profecia, o povo se corrompe…” Pv 29:18. Nunca duvidem, porque Deus mostra mais coisas ao pastor do que se imagina… Ele tem informações privilegiadas, vindas do céu, no tempo e no espaço. ”Ele é o anjo da igreja” Ap 2:8. “Com certeza o Senhor Deus não fará nada, sem antes revelar o seu segredo aos seus servos, os profetas” Amós 3:7.
O profeta Jeremias diz que “É Deus quem dá pastores ao povo”. O pastor não é um empregado da Igreja, é um servo exercendo o ministério recebido do céu, convocado por Deus. “E vos darei pastores segundo o meu coração, que vos apascentem com ciência e com inteligência” Jr 3:15. O dinheiro que gera o salário do pastor é de Deus; fruto do dízimo que as pessoas devolvem à Igreja. O patrão é o Senhor; é com o dinheiro dele que se sustenta a obra. A Igreja apenas administra e obedece ao que lhe foi ordenado: “…Digno é o obreiro do seu salário…”. Lc 10:7
O pastor é sentinela da verdade. Doa a quem doer: se Deus mandar, o pastor tem que pregar o que lhe foi ordenado. “Jamais deixei de anunciar todo o desígnio de Deus” At 20:27.
O pastor é um guardião do Evangelho e das doutrinas: “Porventura, procuro eu, agora, o favor dos homens ou o de Deus? Ou procuro agradar a homens? Se agradasse ainda a homens, não seria servo de Cristo” Gl 1:10.
Com missão tão gloriosa e árdua a cumprir, os pastores se esforçam para agradar e sofrem quando percebem que a expectativa era maior e mais, muito mais. Os que exigem perfeição no trabalho do pastor (e são muitos), cobram e cobram, não deixando passar nada. Há até aqueles que falam mal da Igreja, do pastor, da denominação, de tudo, perto das crianças e depois vão procurar ajuda para entender as causas do desajuste espiritual dos seus filhos e dos filhos dos outros. Promovem encontro disto, daquilo e daquilo outro, tentando buscar recursos para ajustar a família. Causas de desajuste? Um deles, com certeza é o mau exemplo. Às vezes, não se compreende porque tantos jovens se afastam da Igreja e fogem dos crentes; não querem nem ouvir falar de Bíblia; de culto de oração; de escola bíblica; …embora tenham sido pessoas educadas, desde bebês, num ambiente cristão, dia e noite, na Igreja e se decepcionaram.
O pastor é mensageiro de Deus, conselheiro, profeta, nosso irmão na fé, porém, não é super-homem. É humilde servo do Senhor, chamado para o cumprimento da missão. Há muito espinho na obra, pode-se garantir isto. Ele precisa do apoio, das orações, de cooperação para não fraquejar nem esmorecer nas tentações.
O pastor precisa preparar, por ano, no mínimo, mais de cento e cinquenta mensagens, só para o púlpito; mais ainda para os cultos fora da Igreja. Ele precisa ler e se atualizar, sempre, para não ficar repetitivo; a sua aparência deve estar ótima; o humor em nível altíssimo; a paciência deve ser inesgotável. Se errar, dificilmente será compreendido. Muitas pessoas, com muita experiência, perseguem os pastores, exigem deles a perfeição, desafiam e perturbam o ministério, em nome de um enorme zelo pelo Evangelho. Zelo pelo Evangelho seria adotar os princípios da ética cristã e contribuir para a valorização da obra da Igreja através do exemplo de sua vida espiritual, em crescimento, com muita discrição e muito zelo ao falar. A discrição passa longe, muitas vezes. Ninguém pode negar que os tais são experientes mesmo. Derrubam o que encontram pela frente. Nada para eles está bom, tudo está errado, são campeões de críticas e só críticas. Os experientes profissionais não têm nenhuma pressa, às vezes, levam anos e anos, até conseguirem êxito. Atiram no que veem e derrubam o que não são capazes de ver: o bom nome da Igreja.
Pastor, “no dia em que o senhor for totalmente compreendido, o senhor estará totalmente superado”!

Ivone Boechat

Sociedade Show


A humanidade é pressionada por estridentes sons, êxtase, luzes, euforia, avisos, banners, promoções, fotos, pichações, ilustrações, slides, tatuagens, comerciais, filmes, roupas personalizadas capazes até de convencer que é moda, que é chique, que é moral. O processo de coerção, antes lento, sem imagens, nas cavernas, se escancarou aos olhos do mundo, ao vivo, em tempo real, sem autoria, anônimo. É aí que se grita pela falta do educador orientando, moderando, selecionando, criticando. É preciso ensinar a ouvir e a ver! Esse clamor se torna emergência, porque os analfabetismos se atropelam na estrada do avanço tecnológico e da informação. Que se implante a educação audiovisual.
Nos Estados Unidos surgiu nos últimos anos a media literacy, ou, “alfabetização para a mídia“ – “educação pela e para a comunicação”. Aliás, não é novidade, Adão tinha essa orientação divina lá no paraíso…
A educação está desafiada a acelerar seu ritmo na olimpíada pedagógica, chegar primeiro e, competentemente, preparar as emoções da sociedade, ajudando-a a tomar posse das conquistas, a decifrar mistérios e prosseguir.
A sociedade exige a presença de “alfabetizadores” capazes de ajudá-la a ler e a interpretar não somente o código de redes, senhas, sites, twiter, msn, e-mail, facebook, blogs, orkut, mas, sobretudo, que ajude o cidadão a tornar-se alfabetizado social, ou seja, um letrado cultural para interpretar a cultura das épocas, e, principalmente, produzir ciência, ser feliz, transcender.
A educação deve contribuir para que o homem desta Era da metainformação e da interface selecione sites, se interesse pela diversidade cultural, saiba apreciar um som e identificá-lo, compartilhe ritmos, tenha olhos e ouvidos educados para perceber os excessos.
Há muito tempo e, principalmente no Século XIX, quando já se discutia sobre a sociedade da sensação, profetizou-se a supervalorização das aparências e transparências do universo eletrônico que se expandia no mundo imaginário.

Fernando Hernández, professor da Faculdade de Belas Artes de Barcelona, na Espanha diz que “Estamos imersos numa avalanche de imagens e é preciso aprender a lê-las e interpretá-las para compreender e dar sentido ao mundo em que vivemos”.

Andrew Oitke, professor da Universidade de Harward, autor do livro Obesidade Mental, denunciou que “profissionais da informação vendem gordura trans em excesso” e concluiu: “Com uma ‘alimentação intelectual’ tão carregada de adrenalina, romance, violência e emoção, é possível supor que esses jovens jamais conseguirão viver uma vida saudável e regular”.
Afirma Oitke: “O jornalista alimenta-se, hoje, quase que exclusivamente de cadáveres de reputações, de detritos de escândalos e de restos mortais das realizações humanas. A imprensa deixou há muito de informar, para apenas seduzir, agredir e manipular”.
Esse jornalismo da sociedade do espetáculo não se importa com os estragos emocionais que provocam na família. “O conhecimento das pessoas aumentou, mas é feito de banalidades. Todos sabem que o Kennedy foi assassinado, mas não sabem quem foi Kennedy”.

Oitke é otimista e conclui: “Não se trata de uma decadência, uma «idade das trevas» ou o fim da civilização, como tantos apregoam. É só uma questão de obesidade. O homem moderno está adiposo no raciocínio, gostos e sentimentos. O mundo não precisa de reformas, desenvolvimento, progressos. Precisa, sobretudo de uma dieta mental”.

No espetáculo show da religião seria diferente? Todos sabem que luzes, shows e o estrondoso som eletrônico invadiram o território sagrado dos templos e, sem pedir licença à capacidade emocional auditiva e visual, sacudiram as estruturas do espaço reservado para a oração, a meditação e a comunhão.
Rosane Borges, professora do Departamento de Comunicação da Universidade de Londrina-Pr diz que “essa tendência de espetacularização de tudo é prejudicial, porque não está em consonância com a contemplação, com a reflexão”.
Ivone Boechat

Como tudo começou?

É impressionante a maneira como algumas igrejas tratam suas páginas de apresentação na Internet. 95% não têm o resumo de sua história. Não se pode considerar resumo de história o espaço de uma linha com o título nossa história. Resumem tanto que só informam a data da organização e a lista de pastores que passaram por lá. Às vezes incompleta, equivocada. Mais nada.
Os livros de atas das igrejas muitas vezes não têm o devido resguardo e ficam arquivados em lugares nada recomendáveis: armários cheios de traças, salas multiuso (entulhadas). Isto quando um faxineiro desavisado não toca fogo em tudo para desocupar espaço, como tem acontecido. Amanhã, quando um jovem perguntar como surgiu esta igreja ou aquela, quem saberá contar?
Toda igreja deve ter alguém designado oficialmente e responsável pela preservação de sua história. É fascinante quando se abre o site de uma igreja e lá estão contados o seu início, os nomes dos membros fundadores, as lutas enfrentadas, as vitórias e a galeria de fotos dos pioneiros, com o devido período anotado embaixo da foto.
O comportamento indiferente à história das raízes da implantação do Evangelho nas cidades, relega a plano nenhum, de consideração, a luta que os antepassados travaram para que a liberdade religiosa fosse respeitada. Os que estão chegando precisam saber como tudo começou para valorizar toda essa conquista. Não foi nada fácil. Nos estudos dominicais, pelo menos uma vez por ano, as igrejas deveriam estudar a vida e a obra dos pioneiros do Evangelho na sua cidade.
“O pastor Bowen foi o primeiro missionário enviado ao Brasil pela Junta de Richmond, associação de igrejas batistas do Sul dos Estados Unidos. Sua missão era organizar uma igreja de língua inglesa para os imigrantes americanos. Também tinha intenção de trabalhar entre os escravos, já que vinha de um longo período como missionário na África, onde inclusive aprendera o dialeto iorubá, corrente entre os negros traficados para o Brasil”.
“Além de sofrer sérios problemas de saúde, o pastor foi impedido pelas autoridades de propagar uma mensagem cristã que se caracterizava pela distância com os ensinos católicos, até então a religião oficial do país”.

História dos Batistas

“Os primeiros missionários junto aos brasileiros foram William Buck Bagby, Zachary Clay Taylor e suas esposas (1881-1882). O primeiro membro e pastor batista brasileiro foi o ex-padre Antônio Teixeira de Albuquerque. Em 1882 o grupo fundou a Primeira Igreja Brasileira em Salvador, na Bahia. A Convenção Batista Brasileira foi criada em 1907”.

HISTÓRIA DO PROTESTANTISMO NO BRASIL

Assim como Dr.A.B. Christie, os missionários que vieram ao Brasil e se distribuíram por todos os estados brasileiros, tinham a tarefa de lutar pela liberdade do culto, evangelizar, plantar escolas, igrejas, orfanatos, desde a recente data de tolerância da igreja católica que durante mais de 300 anos perseguiu e proibiu qualquer entrada ou iniciativa contrária aos seus dogmas. Esses missionários lutavam pela liberdade religiosa.
A história registra: “Em virtude do predomínio do catolicismo no país e do fato de a Igreja Católica ser a religião oficial, os protestantes, tanto estrangeiros como brasileiros, enfrentaram sérios entraves ao longo de boa parte do século 19. Suas casas de culto não podiam ter a forma exterior de templos, os fiéis não podiam casar-se legalmente ou registrar os seus filhos, as crianças evangélicas sofriam discriminação nas escolas públicas e havia outras formas de intolerância aberta ou disfarçada. Outra restrição imposta aos protestantes dizia respeito aos cemitérios”.
Quem não fosse católico não tinha direito nem ao sepultamento nos cemitérios. Dentre milhares de fatos iguais um exemplo desta realidade aconteceu no dia 29 de setembro de 1867, em Iguape-SP, o líder religioso protestante, Frank McMullan faleceu e foi enterrado no quintal da casa de um outro alemão.
“Aos estrangeiros protestantes só cabia a opção de construir seus próprios cemitérios ao ar livre como era feito com os escravos e marginais”.
http://salvadorhistoriacidadebaixa.blogspot.com.br/2011/04/cemiterio-dos-ingleses.html

Em 1810, o artigo 12 do Tratado de Navegação e Comércio estabeleceu que “deveriam ser escolhidos alguns terrenos para servir de cemitério aos súditos britânicos que, por não serem católicos, não podiam ser enterrados em templos católicos ou em pequenos cemitérios a eles anexos, devendo ser enterrados em qualquer outro lugar: nas praias, nas campinas ou em outras áreas descampadas”.

Um apelo: pesquise a história da sua Igreja.

Para ler mais sobre o assunto, consulte os sites:
http://basilio.fundaj.gov.br/pesquisaescolar/index.php?option=com_content&view=article&id=567
http://www.mackenzie.br/10221.html
http://www2.uol.com.br/debate/1624/cadd/cadd.htm
http://www.pibrj.org.br/historia/arquivos/historia_batistas_I.pdf
http://pt.wikipedia.org/wiki/Conven%C3%A7%C3%A3o_Batista_Brasileira

Ivone Boechat