MÚLTIPLAS INTELIGÊNCIAS OU MÚLTIPLOS DONS?

 

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RESUMO
A finalidade deste trabalho é apresentar a Bíblia como referência e conclusão de qualquer assunto em discussão na pauta científica.
Mesmo respeitando a Teoria das Inteligências Múltiplas por sua contribuição pedagógica, outros importantes pesquisadores ganharam espaço e credibilidade, principalmente, aqueles que se aproximaram dos ensinamentos bíblicos. Nesta Era, vive-se um kit de Eras que se condensaram para confirmar: “O que é já foi; e o que há de ser também já foi…” Ec 3:15.
A humanidade continua reproduzindo e recriando a eterna Era do conhecimento que se iniciou no Jardim, sob recomendação: “Mas da árvore do conhecimento do bem e do mal, dessa não comerás; porque no dia em que dela comeres, certamente morrerás” Gn 2:17. Parece não ser condenação, mas advertência. A árvore do conhecimento do bem e do mal poderia ser traduzida como “árvore da inteligência”. O ser humano estava na classe de alfabetização emocional do Jardim da Infância do Éden, soletrando as primeiras letras para fazer a tarefa do lar sobre o uso da inteligência. A incompetência emocional o impediu de escolher racionalmente entre o bem e o mal. Foi reprovado. Contextualizando o diálogo Criador-criatura: no dia em que produzires a bomba atômica, o avião, o carro, a guerra, as drogas, a violência… certamente morrerás… O aluno Adão matou a aula, fugiu da escola e foi conferir a Internet do mal. O analfabeto virtual digitou rápido, escondido, a palavra desobediência, a senha do inimigo. Caiu a conexão com o Provedor, porém, o celular tocou: “Adão, onde estás?” Adão já estava “fora da área… do bem”.
A Bíblia ensina: “A sabedoria é árvore da vida para os que dela lançam mão”. Pv 3:18 “Uma língua suave é arvore de vida”. Pv 15:4. “O desejo cumprido é árvore de vida”. Pv 13:12.
Etz significa “árvore”, mas também “estrutura”. Portanto, etz chaiym pode também ser entendida como “estrutura da vida”. A estrutura da vida são as emoções. As emoções são frutos da árvore da vida. “O fruto do justo é árvore de vida” Pv 11:30.

PALAVRAS-CHAVE: inteligência ? aprendizagem ? Bíblia – árvore do conhecimento – emoções, dons, ciberespaço.

1- INTRODUÇÃO
Etimologicamente a palavra inteligência vem do latim inter (entre) e legere (escolher). Inteligência é a habilidade de realizar de forma eficaz uma determinada tarefa. No Dicionário Aurélio , ser inteligente é: “… qualidade ou capacidade de compreender e adaptar-se facilmente”.
A Bíblia refere-se inúmeras vezes, de uma maneira muito clara à inteligência: “Como um homem pensa em seu coração assim ele é”. Pv 23:7. Davi conversou com Deus e suplicou: “As tuas mãos me fizeram e me formaram; dá-me inteligência para aprender os teus mandamentos”. Sl 119:73.
Sócrates (469?399 a.C), teve uma visão prevalente de inteligência como um raciocínio abstrato no campo da linguagem e da matemática. Platão ? (428 ou 427 a.C), e Aristóteles (384 ? 322 a.C) entenderam a inteligência como uma habilidade na lógica, na geometria e na argumentação.
Na sua Didática Magna, João Amós Comênio (1592-1670) propõe ensinar “tudo a todos, totalmente” (Omnes Omnia Omnimo). Isto encantou o filósofo René Descartes (1596-1650).
A partir da obra de Francis Bacon (1561-1626) Locke desenvolveu uma teoria para aperfeiçoar o uso do intelecto. Para Bacon: “A mente é o homem, e o conhecimento é a mente; um homem é apenas aquilo que ele sabe.”
John Locke (1632-1704) ao escrever o Ensaio sobre o entendimento humano, dizia que “o homem nascia sem dominar nenhuma forma de conhecimento e, somente com o passar dos anos, teria a capacidade de acumulá-lo”.
O conceito de inteligência foi aperfeiçoado pelo filósofo Herbert Spencer (1820-1903), pelo estatístico Karl Pearsone, e pelo primo de Darwin, gênio mundialmente conhecido, Sir Francis Galton. Eles introduziram as noções de mensuração, evolução e genética experimental no estudo da inteligência. Herbert Spencer falava de uma hierarquia das funções neurais em que um tipo básico de atividades se desenvolve através de estágios regularmente definidos, em formas mais altas e mais especializadas.
Em 1968, Benjamin S. Bloom publicou na Universidade da Califórnia o artigo “Aprendizagem para o domínio”, mostrando que de 90 a 95% dos alunos têm possibilidades de aprender tudo o que lhes for ensinado, desde que se lhes ofereçam condições para isso, e que preencham os pré-requisitos mínimos.
Para Bloom o tempo não importava, pois cada pessoa aprende num ritmo próprio. Pela primeira vez foi quebrado o dogma da velocidade, típico do conceito de inteligência. Pessoas vagarosas agora podiam ser incluídas entre os inteligentes, desde que atingissem os objetivos de aprendizagem. Surgiu a década do movimento chamado “Ensino baseado em competências” Esse movimento introduziu o conceito de modulação no processo instrucional.
Jean Piaget (1896-1980) é o fundador de uma nova área do saber, a epistemologia genética, cujo objetivo passa pela compreensão da natureza e da origem do conhecimento. Piaget abre uma nova perspectiva sobre o conhecimento e o pensamento humanos: “Inteligência é o mecanismo de adaptação do organismo a uma situação nova e, como tal, implica a construção contínua de novas estruturas”.
Para explicar o desenvolvimento intelectual, Jean Piaget, diz: “Os atos biológicos são atos de adaptação ao meio físico e organizações do meio ambiente, sempre procurando manter um equilíbrio”. Piaget – pressupõe que todas as crianças de uma determinada faixa etária, têm, em geral, as mesmas características.
Robert Sternberg (1949) assegura que:
“A inteligência antiga privilegia pessoas que se adaptam ao ambiente em que vivem, recebem boas notas na escola, fazem tudo o que pedem a elas, são muito obedientes, seguem as regras, colorem dentro das linhas do desenho. Os empreendedores de sucesso serão capazes de transformar o ambiente em que vivem para atingir seus propósitos de vida…”.

Outras formas de revelar a inteligência vão desabrochando no universo da humanidade. Ao finalizar seu livro “O milênio da Inteligência competitiva” (2002), Jerry P. Miller e o Business Intelligence Braintrust, são descritas previsões e projeções, indicando rumos da profissão de inteligência para os próximos anos. Assim, Miller sublinha a atual fase: “A empresa que está preocupada com a competição, provou Inteligência Competitiva”. Nos Estados Unidos, Competitive Intelligence é o significado para a maioria das utilizações de Inteligência no mundo corporativo.
Hoje, nesse ambiente ecossistêmico, já se vê claramente a inteligência coletiva. O pesquisador, filósofo, sociólogo e escritor francês, Pierre Lévy diz que “os seres humanos são incapazes de pensar só e sem o auxílio de qualquer ferramenta”: “É do equilíbrio entre a cooperação e a competição que nasce a Inteligência Coletiva”. O conceito de inteligência coletiva (IC) é, basicamente: “A partilha de funções cognitivas, como a memória, a percepção e o aprendizado por todos os meios de comunicação”. Para Lévy, inteligência coletiva não é um conceito novo, pois desenvolveu?se à medida que a linguagem evoluiu. “O mundo das idéias é o ciberespaço, que permite a interconexão”.
A Bíblia registra um diálogo entre Jesus e Pedro que o educador traduz como uma linguagem muito atual no ciberespaço: “Pedro, tudo o que ligares na Terra, será ligado no céu…” Mt 16:19.

3 – INTELIGÊNCIA OU INTELIGÊNCIAS?
A inteligência emocional, alicerce da vida, está relacionada a habilidades tais como: reconhecer e administrar as próprias emoções; reconhecer as emoções dos outros também; motivar-se; ultrapassar as frustrações; perdoar-se para perdoar os outros; controlar impulsos; praticar gratificação prorrogada; incentivar pessoas, ajudando-as a serem eficazes e a produzir frutos… “Pois será como a árvore plantada junto às correntes das águas que dá seu fruto na estação própria…” Sl 1:3.

A expressão “Inteligência Emocional” cresceu popularmente com a publicação do livro Inteligência Emocional, de Daniel Goleman, em 1995, mas esse conceito já é alvo de pesquisas desde a década de 90, com a publicação de dois artigos em jornais acadêmicos, por Peter Salovey e John D. Mayer. (Bar-on, Parker, 2002 p.81)
Salovey e Mayer definiram a inteligência emocional em termos de: “ser capaz de monitorar e regular os sentimentos próprios e os de outras pessoas e de utilizar os sentimentos para guiar os pensamentos e as ações”.
A idéia de definir e mensurar a inteligência tem pouco mais de um século. Alfred Binet (1857/1911), – médico francês, e seu assistente Simon, classificaram dois tipos de inteligências: a lógico-matemática e a linguística ou verbal.
O teste do Q.I., criado por Binet e Simon testava a habilidade das crianças nas áreas verbal e lógica, já que os currículos acadêmicos dos liceus franceses enfatizavam, sobretudo, o desenvolvimento da linguagem e da matemática. Esse instrumento deu origem ao primeiro teste de inteligência, desenvolvido por Terman, na Universidade de Standford, na Califórnia: o Standford-Binet Intelligence Scale.
Os testes de Q.I. provêm de uma concepção de que o ser humano tem dimensões afetivas e cognitivas inatas que se mantém por toda vida como um software básico. Mesmo com a intervenção de Piaget (educador suíço, 1896-1980), ao afirmar que testes de Q.I. não permitiam pesquisa consistente sobre o desenvolvimento da mente. Durante anos e anos educadores discriminaram e privilegiaram inteligências.
Para o psicólogo americano, Howard Gardner, um dos mais importantes precursores da pesquisa sobre as inteligências múltiplas, a predisposição genética e as experiências vividas na infância podem favorecer os “computadores mentais”.
Gardner ? diz que crianças de uma determinada faixa etária podem estar em diferentes níveis de desenvolvimento, nas diversas áreas do conhecimento. Professor da Universidade Harvard, Gardner é considerado um dos “demolidores” do conceito de quociente de inteligência ? QI, de Alfred Binet. Gardner iniciou a formulação da idéia de “inteligências múltiplas” com a publicação da obra “The Shattered Mind”, 1975. Mais tarde conceituou a inteligência como: “Um potencial biopsicológico para processar informações que pode ser ativado num cenário cultural para solucionar problemas ou criar produtos que sejam valorizados numa cultura”.
Acompanhando o desempenho profissional de pessoas que haviam sido alunos fracos ou medíocres, Gardner se surpreende ao verificar que muitos obtiveram sucesso e viviam muito bem, o que não acontecia necessariamente com aqueles que haviam sido estudantes aplicados e tirado boas notas. Questionando o tipo de avaliação feita nas escolas, ele verificou que elas não incluíam capacidades que eram essenciais para a realização e a felicidade das pessoas.
Gardner demonstrou que as demais faculdades, desprezadas pela escola, também são produto de processos mentais. Para ele, “inteligência é uma capacidade de resolver problemas e elaborar produtos de valor num ambiente cultural ou comunitário”. Ele próprio, na ocasião, identificou as inteligências:
1. lógico-matemática – capacidade de realizar operações numéricas e de fazer deduções;
2. lingüística – habilidade de aprender idiomas e de usar a fala e a escrita;
3. espacial – disposição para reconhecer e manipular situações que envolvam apreensões visuais;
4. corporal-cinestésica – potencial para usar o corpo com o fim de resolver problemas ou fabricar produtos;
5. interpessoal – capacidade de se relacionar bem em sociedade;
6. intrapessoal – habilidade para se conhecer e usar o entendimento de si mesmo;
7. musical – aptidão para tocar, apreciar e compor padrões musicais;
8. naturalista – traduz-se na sensibilidade para compreender e organizar os objetos, fenômenos e padrões da natureza.

O professor Nilson José Machado, doutor em educação pela Universidade de São Paulo, onde leciona desde 1972, inclui a inteligência pictórica, presente em pessoas, como grandes pintores e artistas, que se comunicam com uma linguagem não-verbal.
Em 1964, Professor Luiz Machado, da Universidade do Estado do Rio de Janeiro (UERJ), foi convidado a realizar estudos e pesquisas, na Universidade de Colúmbia, em Nova York, na categoria de visiting scholar (Professor/Pesquisador). Verificou o professor Machado que:
“A Bíblia, como outros livros sagrados para os religiosos que os seguem, pode ser encarada como um manual de uso do cérebro, ou melhor, de como mobilizar potencialidades humanas”. Podemos até dizer que são prescrições como, modernamente, a Emotologia, ? que é a verdadeira ciência do Ser Humano, ? faz para aqueles que a seguem. Assim, desse ponto de vista, a interpretação do conceito bíblico de fé é: firme fundamento das coisas que se esperam ? indica que precisamos ter objetivos claramente definidos e não duvidarmos que eles se transformarão em resultados; a prova das coisas que não se vêem ? temos aqui que os resultados esperados devem ser visualizados, sentidos, tocados com os sentidos da mente, pois o cérebro não distingue entre algo real de alguma coisa emotizadamente imaginada, isto é, empolgada com os sentidos da mente, com emoções”.

Luis Machado afirma que “Gardner parece ter confundido habilidade com inteligência”. Machado diz que “na verdade, o que Gardner chamou de inteligências são habilidades que estão englobadas nos dois grandes tipos de inteligência, a lógico-racional e a emocional, mas, não constituem, por si mesmas, tipos de inteligência”.
“A inteligência não é algo que existe pronto e, por isto mesmo, não tem sede. A inteligência é uma virtualidade, um virtualismo do organismo.”
Luiz Machado, Ph.D, Cientista Fundador da Cidade do Cérebro , pesquisador da inteligência, há mais de 40 anos, afirma que:
“Se fôssemos aceitar múltiplas inteligências, estaríamos regredindo às idéias do médico alemão Franz Joseph Gall (1758-1828), que criou a frenologia, segundo a qual o formato do crânio indicaria, logo abaixo, certas circunvoluções cerebrais (bossas) que dariam condições especiais de inclinações para determinados assuntos: lingüísticos (bossa para línguas), para matemática (bossa para matemática), para música (bossa musical) e assim por diante. A teoria de Gall foi bem aceita e, à época, eram poucos os médicos que não tinham em seus consultórios uma cabeça frenológica de porcelana. Essa teoria é mencionada hoje apenas para relato histórico, sem nenhuma validade científica.”

Daniel Goleman concorda com Machado e diz que temos dois tipos de inteligência: racional e emocional e que o desempenho na vida é determinado por essas duas. … Goleman faz uma crítica:
“Gardner e os que com ele trabalham não investigaram com muitos detalhes o papel do sentimento nessas inteligências (Inteligências Múltiplas), concentrando-se mais na cognição sobre o sentimento” …deixa por sondar tanto o sentido em que há inteligência nas emoções quanto o sentido em que se pode transmitir inteligência às emoções”. (Goleman, 1995 p. 52).

Quando Jesus contou a parábola dos dez talentos (Mt 25:14-18) Ele estava sublinhando a importância da educação e do esforço próprio para a mobilização das potencialidades humanas. São incontáveis! O homem pode desenvolver habilidades, valores individuais, dons, vocação, aptidões,… A contribuição fundamental da teoria das Inteligências Múltiplas, segundo Najmanovich (2001), foi a mudança da pergunta: “Quão inteligente você é?” para a indagação “De que modo você é inteligente?”.
Para Gardner (1994, p. 278): “Não deveríamos pensar nas inteligências como envolvidas numa situação de soma zero: nem deveríamos tratar da teoria das inteligências múltiplas como um modelo hidráulico, onde um aumento em uma inteligência necessariamente impõe o decréscimo em outra”. Gardner (2000), com base em sua perspectiva da multiplicidade da inteligência humana, organizou uma proposta educativa em torno de sete rotas de acesso:
a) narrativa – caracteriza-se pela aprendizagem por meio de histórias ensinadas por quaisquer veículos midiáticos;
b) quantitativa e numérica – quando as pessoas respondem com maior facilidade aos aspectos de um tema que convidam a uma consideração de ordem numérica;
c) lógica – está relacionada diretamente a capacidade de dedução, tradicionalmente por meio de silogismos e interpretações complexas de situações, fatos e conhecimentos;
d) existencial – examina as facetas filosóficas e terminológicas de um conceito ou assunto. Este enfoque é apropriado para aquelas pessoas que gostam de fazer perguntas fundamentais sobre o mundo, a vida e a humanidade;
e) estética – por meio desta rota as pessoas respondem a qualidades formais e sensoriais como: a cor, a linha, a expressão e a composição de uma pintura ou a métrica de um poema. A ênfase recai sobre os aspectos sensoriais ou superficiais que atraem e favorecem uma postura artística ou contemplação das experiências de vida;
f) experiencial – responder com o próprio corpo, numa atividade em que a pessoa possa se envolver completamente, construindo um projeto, manipulando materiais diversos ou em múltiplas vivências de movimento;
g) social – mais adequado às pessoas que aprendem melhor em grupo do que sozinhas. As linguagens utilizadas são variadas, exploradas e reconstruídas em equipe.

Nista-Piccolo (2005, p. 6-7) se apóia na orientação de Howard Gardner, para explicar o ato de ensinar um movimento, esclarecendo que:
“Ensinar alguém a fazer algo que ele ainda não sabe implica em diversos fatores, como por exemplo: partir do que ele já sabe fazer; descobrir o que ele sabe fazer com mais facilidade; perceber o seu nível de motivação para execução daquela tarefa; estar num ambiente apropriado para estimulá-lo a essa aprendizagem; saber quais são os meios facilitadores para ensinar tal fundamento” etc.

De acordo com Macedo (2005), a escola está pautada num modo de pensar calcado nas semelhanças. Para o autor, a “lógica das semelhanças” é a “lógica da classe”, e a “lógica das diferenças” é a “lógica das relações”. Na lógica da classe, explica o mesmo autor, “somos redutíveis ao critério que nos define. Na lógica da relação, somos irredutíveis no sentido de que não somos reduzidos a uma coisa ou outra, porque quem nos define é a relação” (MACEDO, 2005, p. 25).
Ranciere (2002, p. 72) provoca-nos, quando alerta que o nosso problema não é provar que todas as inteligências sejam iguais, mas: “ver o que se pode fazer a partir dessa suposição”. Defendemos que no processo de ensino-aprendizagem é preciso saber ver o que nos escapa. Aquilo que os nossos alunos emanam, “tudo aquilo que não se estampa no imediato” (PEIXOTO, 1992, p. 305), algo que não se deixa facilmente retratar. “O enfoque reside, então, no ato de aprender e não no de ensinar” (BICUDO, 2006, p. 96).
Como esclarece Najmanovich (2001, p. 23):
“Só podemos conhecer o que somos capazes de perceber e processar com nosso corpo. O corpo também pode revelar conhecimentos indizíveis. Para aprender, não podemos ignorá-lo. Assim, é importante que os professores percebam seus alunos em sua corporeidade para poderem ver outros sinais que anunciam a multiplicidade da inteligência humana”.

Estão, hoje, em pauta, inteligência (StvenJohnson) – “coletivos inteligentes” (Howard Rheingold) – “cérebro global” (Francis Heylighen) – “sociedade da mente” (Marvin Minsk) – “inteligência conectiva” (Derrick de Kerckhove) – “redes inteligentes” (Albert Barabasi) -“inteligência coletiva” (Pierre Lévy), são cada vez mais recorrentes entre teóricos reconhecidos. Todos eles apontam para uma mesma situação: estamos em rede, interconectados com um número cada vez maior de pontos e com uma frequência que só faz crescer.
O conceito de inteligência proposto por Gardner (1994), inicialmente, era a “capacidade de resolver problemas ou elaborar produtos, importantes em determinado ambiente ou comunidade cultural”. Duas décadas após a publicação de sua teoria, ele reformulou este conceito substituindo o termo capacidade por potencial biopsicológico, querendo distanciar-se da concepção mais biológica e ressaltar que as influências culturais e psicológicas desempenham um papel determinante. Segundo Marina (1995, p. 277): “A inteligência inventa novos problemas e procura resolvê-los”.

4- O ENSINAMENTO BÍBLICO SOBRE INTELIGÊNCIA ESPIRITUAL E DONS.
Os filósofos gregos antigos, desde Anaxágoras (500-426 a.C) a Proclus (412-487 a.C) sempre apontaram para a intuição como inteligência espiritual, segundo eles “é algo que atua no interior para o exterior”, corresponde ao noús.
Plotino (205-270) distinguia três modos de percepção: “opinião, ciência e contemplação. A opinião é própria da inteligência passional; a ciência, da inteligência discursiva; a contemplação, da inteligência espiritual”.
A inteligência espiritual, também chamada de QS – do inglês spiritual quocient) já fora sublinhada no texto bíblico. Deus é o Pai das luzes (a palavra luz é usada também como sinônimo de inteligência). “Toda boa dádiva e todo dom perfeito vem do alto, descendo do Pai das luzes, em quem não pode existir variação, ou sombra de mudança”. Tg 1.17. A Bíblia se antecipa e ensina de forma clara: “Por esta razão, nós também, desde o dia em que o ouvimos, não cessamos de orar por vós, e de pedir que sejais cheios do conhecimento da sua vontade, em toda a sabedoria e inteligência espiritual” Cl 1:9. ? “Há no teu reino um homem que tem o espírito dos deuses santos; e nos dias de teu pai se achou nele luz, e inteligência, e sabedoria, como a sabedoria dos deuses…” Dn 5:11 – “Foi Ele quem deu dons às pessoas, escolheu alguns para serem apóstolos, outros para profetas, outros para evangelistas e ainda outros para pastores e mestres da Igreja…” Ef 4:11-12 ? “Ora, há diversidade de dons, mas o Espírito é o mesmo. E há diversidade de ministérios, mas o Senhor é o mesmo…” I Co 12:4-6.
Segundo a Filósofa americana, Danah Zohar: “a consciência é a bússola moral que nos leva às escolhas certas e positivas da vida”. Autora do livro Inteligência Espiritual, lançado no Brasil, ela afirma que a inteligência espiritual produz:
“essa capacidade que se caracteriza pelos seguintes traços: capacidade de ser flexível; grau elevado de autoconhecimento; capacidade de enfrentar a dor; capacidade de aprender com o sofrimento; capacidade de se inspirar em idéias e valores; relutância em causar danos aos outros; tendência para ver conexões entre realidades distintas; tendência a se questionar sobre suas ações e seus desejos, com perguntas como “por que agir de tal maneira”? “Ou, o que aconteceria se agisse de outra maneira”?

4.1 – A BÍBLIA ESCLARECE E NOMEIA MÚLTIPLOS DONS ESPIRITUAIS:
“E repousará sobre ele o espírito do Senhor, o espírito de sabedoria e de inteligência, o espírito de conselho e de fortaleza, o espírito de conhecimento e de temor do Senhor” Is 11:2
O Apóstolo Paulo escrevendo aos Gálatas (5:19:25) assegura que as obras da carne são conhecidas:
“prostituição, impureza, lascívia, idolatria, feitiçarias, inimizades, porfias, ciúmes, iras, discórdias, dissensões, facções, invejas, bebedices, glutonarias e coisas semelhantes a estas, a respeito das quais eu vos declaro, como já, outrora, vos preveni, que não herdarão o reino de Deus os que tais coisas praticam.”
“Mas o Fruto do Espírito é: amor, alegria, paz, longanimidade, benignidade, caridade, bondade, fidelidade, mansidão, domínio próprio. Contra estas coisas não há lei. E os que são de Cristo Jesus crucificaram a carne, com as suas paixões e concupiscências. Se vivermos no Espírito, andemos também no Espírito”.

A palavra carne é também usada na Bíblia como sinônimo de emoções. Paulo relaciona as emoções sem administração e controle e as chama de frutos da carne. O Fruto do Espírito identifica a inteligência espiritual.
Nicodemos, mestre em Israel, príncipe dos judeus, mostrou-se analfabeto espiritual e foi aprender o a-e-i-o-u na Escola Supletiva de Jesus. Foi advertido.

4.2 – MÚLTIPLOS DONS
– emocional
Pv 4:23 – Sobretudo o que se deve controlar, controle as emoções, porque delas procedem as saídas da vida.
– visual
Mt 6:22 ? A candeia do corpo são os olhos; de sorte que, se os teus olhos forem bons, todo o teu corpo terá luz.
– auditivo
Hb 3:7 ? Portanto, como diz o Espírito Santo, se ouvirdes hoje a sua voz, não endureçais os vossos corações (emoções).
– musical
Sl 47:7 – Pois Deus é o Rei de toda a terra; cantai louvores com inteligência.
– cinestésico-corporal
I Co 9:24 ? Não sabeis vós que os que correm no estádio, todos, na verdade, correm, mas um só leva o prêmio? Correi de tal maneira que o alcanceis.
– espiritual
Pv 2:3 – E se clamares por entendimento, e por inteligência alçares a tua voz…
– espacial
Ef 3:17-19 ? Para que Cristo habite pela fé nos vossos corações a fim de, estando arraigados e fundados em amor, poderdes perfeitamente compreender, com todos os santos, qual seja a largura, e o comprimento, e a altura, e a profundidade…
– olfativo
II Co 2:14 ? E graças a Deus, que sempre nos faz triunfar em Cristo, e por meio de nós manifesta em todo o lugar o cheiro do seu conhecimento.
– táctil
Isaías 64:8 ? Mas agora, ó Senhor, tu és nosso Pai; nós o barro, e tu o nosso oleiro; e todos nós obra das tuas mãos.

– linguístico
Lc 21:15 ? Porque eu vos darei boca e sabedoria a que não poderão resistir nem contradizer todos quantos se vos opuserem.
– lógico-matemática
Mt 10:30 ? E até mesmo os cabelos da vossa cabeça estão todos contados.”
– naturalista
Mt 6:28 ? E, quanto ao vestido, por que andais solícitos? Olhai para os lírios do campo, como eles crescem: não trabalham nem fiam.
– intrapessoal
Gl 5:23 ? A mansidão, o domínio próprio; contra estas coisas não há lei.
– interpessoal
Rm 12:10 ? Amai-vos cordialmente uns aos outros, com amor fraternal, preferindo-vos em honra uns aos outros.

5 – A GRANDE INTELIGÊNCIA
A Bíblia esclarece definitivamente o assunto: Deus é a grande inteligência e dele emanam todas as manifestações de conhecimento e sabedoria: – “Encheu-o de um espírito divino para dar-lhe sabedoria, inteligência e habilidade para toda sorte de obras…” Ex 35:31. – “Dá-me, agora, sabedoria e conhecimento para que eu possa sair e entrar perante este povo”. II Cr 1:10. – “… e todos os homens prudentes que o Senhor dotou de inteligência e habilidade, para saberem executar todos os trabalhos necessários ao serviço do santuário, conformaram-se inteiramente às instruções recebidas do Senhor” Ex. 36:1. Na experiência de Salomão ficou, mais uma vez, explícito o poder de Deus para aqueles que ainda tinham qualquer dúvida sobre a outorga de dons: Pelo que Deus lhe disse:
“Porquanto pediste isso, e não pediste para ti muitos dias, nem riquezas, nem a vida de teus inimigos, mas pediste entendimento para discernires o que é justo, eis que faço segundo as tuas palavras. Eis que te dou um coração tão sábio e entendido, que antes de ti teu igual não houve, e depois de ti teu igual não se levantará”. I Reis 3: 10-12

Segundo a Bíblia, Deus é um Ser Triúno, perfeito, imutável. O homem foi criado à Sua semelhança, mas seu comportamento é mutável, imperfeito. O cérebro humano é triádico. Obedecendo à organização celestial, a Trindade se apresenta com Deus-Pai, Deus-Filho, Deus-Espírito Santo.
O homem se parece com Deus, mas o cérebro do homem é uma “máquina” composta de três computadores biológicos: a razão (hemisfério esquerdo) emoção (hemisfério direito) e o cerebelo, base do cérebro (ação).

“A teoria do cérebro triádico idealizada pelo neurocientista Paul MacLean, postula que o ser humano tem três cérebros formados por camadas sobrepostas, ou seja algo no formato, contemporaneamente pode-se dizer, três em um”. (Lambert, 2003).
Paul D. Mac Lean, Diretor do Laboratório de Evolução Cerebral e Conduta do Instituto Nacional de Saúde Pública de Califórnia, 1970 – concluiu que: “o cérebro do homem é triádico, complexo reptiliano: hipotálamo, sistema límbico e neocórtex, resultado da evolução do homem”, todavia, a Bíblia já revelara, muito antes de qualquer teoria, que à imagem de Deus, o homem tem três cérebros que se interagem com inteligência. Cada qual com suas potencialidades e funções interdependentes.
A Bíblia já revelara, muito antes de qualquer teoria, que à imagem de Deus, o homem tem três cérebros que se interagem com inteligência. Cada qual com suas potencialidades e funções interdependentes, Em Hebreus 4,12, está escrito: “Porque a palavra de Deus é viva e eficaz, e mais penetrante do que espada alguma de dois gumes, e penetra até à divisão da alma e do espírito, e das juntas e medulas, e é apta para discernir os pensamentos e intenções do coração”. – “E o mesmo Deus de paz vos santifique em tudo; e todo o vosso espírito, e alma, e corpo, sejam plenamente conservados irrepreensíveis para a vinda de nosso Senhor Jesus Cristo”. I Ts 5:23. Alma, coração, carne, são palavras usadas constantemente na Bíblia, como sinônimos de emoção. – “Sobretudo o que se deve guardar, guarda o teu coração…” Pv 4:23. Contextualizando: Sobretudo o que se deve controlar, controle as tuas emoções… porque da administração das emoções básicas o homem depende para ser feliz: medo, amor, raiva, tristeza, alegria…
Jorge Cury, autor de vários livros sobre Inteligência Multifocal, garante que “Administrar a emoção é mais difícil que gerenciar uma grande empresa”. Em Dez Leis para Ser Feliz, o autor apresenta princípios para que a vida se torne um grande show. Um espetáculo de felicidade e sabedoria, a exemplo do que fez Jesus, ao escrever a tese da felicidade no Sermão da Montanha ? Mt 5, 6 e 7.

6 – CONCLUSÃO
Tudo que o homem descobrir ou inventar, já está patenteado na Bíblia. As “muitas inteligências”, as que já foram nomeadas ou aquelas que o homem identificar, à medida que for se conectando na divina fonte, são concessões. “Deu também Deus a Salomão sabedoria, grandíssimo entendimento e larga inteligência como a areia que está na praia do mar” Rs 4:29. Sublinha-se o termo larga inteligência e não múltiplas inteligências, conforme o que já foi apontado neste trabalho. Na era das máquinas, dos computadores, da inteligência artificial, da pílula da inteligência, quando se estuda a expansão da consciência e do cérebro global, o ser humano pergunta: onde está o temor do Senhor? Quando Jó questionou a inteligência, perguntou também a Deus: – “Porém onde se achará a sabedoria, e onde está o lugar da inteligência?” E Deus respondeu: “Eis que o temor do Senhor é a sabedoria, e apartar-se do mal é a inteligência”. Jó 28:28.
Cada educador deve apresentar recursos, técnicas e métodos diferenciados para alcançar estilos de aprendizagem. Isso implica em diversas atitudes e procedimentos por parte dos professores, a fim de desenvolver currículos criativos, tais como usar de maneira inteligente as informações; aperfeiçoar os procedimentos de avaliação; incentivar técnicas de comunicação; estimular a produção do conhecimento; assumir lideranças; reforçar o treinamento e o aperfeiçoamento profissional. Na era da informação, em tempo real, a importância do educador se amplia, porque ele pode ajudar a organizar melhor as idéias e transformá-las em habilidades, para o homem conectar-se ao Portal da Graça e navegar na mídia celestial.

Ivone Boechat

PhD Psicologia da Educação

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Ivone Boechat

Educadores no parque das controvérsias

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Geralmente o discurso é a negação do próprio exemplo. Não se resiste à vaidades e egoísmos.  Equilibram-se desculpas na roda gigante das controvérsias sociais e rodam-se mentiras na engrenagem da contradição.

 

Reclama-se do clima social e constroem-se cidadãos multiplicadores desta sociedade armada e triste. A estrutura celestial que nos sustenta se fragiliza nos esteios do corpo precocemente gasto e poluído. Memoriza-se o capítulo histórico da abolição da escravatura, como um chocalho para desviar a atenção de todo tipo de escravidão ao redor e no íntimo de cada um.

 

O parque de diversões da sociedade tem mais brinquedos e jogos de fazer chorar e simular a morte, porém, o preço é pago para a humanidade se divertir incessantemente com a dor e o extermínio próprio. É uma cavalgada que prossegue aos empurrões pelo esforço da sobrevivência. Andando, chorando, competindo, morrendo.

 

No mundo mágico das cavernas, o rosto das assombrações não assusta nem surpreende, a magia de sonhar nas curvas do desespero, faz os soldadinhos de chumbo desta guerra insana prosseguirem com a barriga estufada de ilusões.

 

Por onde andam os governantes obesos mentais que arrotam promessas de que tudo vai melhorar, desde que o contra-cheque dos funcionários continuem rodopiando para cobrir rombos do desperdício e da roubalheira?

 

Em que passarela desfilam correndo a família e os educadores que nem vêem o estrago da pedagogia que muito mais distorce e maltrata do que estrutura e constrói?

 

Nesse universo virtual estão confinados, abstratos e distraídos todos aqueles que outrora reclamavam das cavernas escuras dos primórdios e da aurora da vida. A humanidade brinca noite e dia com um brinquedinho que ela cria e sustenta, adoece e morre:  a informação.

 

É preciso entender que a juventude que chega, nada romântica, agredida pela violência pra todo lado, hiper informada do feio, do mau, do ruim, tem o direito de sonhar, de viver melhor, de se aconchegar. Essa juventude está sendo convencida de que fank é música, que promiscuidade é amor, que religião é lucro,.

 

Educadores, tem jeito sim, mãos à obra.

Ivone Boechat

Como educar netos na adversidade

 

Sociedade disciplinares Para Deleuze, a sociedade de disciplina é o sistema nos doutrinando em espaços onde as normas, e obrigações são passadas em lugares onde estejamos sempre confinados e vigiados dentro de uma instituição. Primeiro família, depois escola, depois emprego, cada um com sua forma de colocar disciplinas, e leis, colocando ordens, onde todos se submetem para não serem punidos, e assim se faz um sociedade civilizada. Uma família "tradicional" dos anos 50.

Quase ninguém se manifesta sobre a injustiça social que sobrecarrega os avós! E tudo é muito parecido: os filhos se casam, não perguntam a opinião dos pais na escolha do cônjuge, até porque empinam o nariz e dizem: “quem vai morar com ele sou eu”. Mas…morar onde, cada vez mais? Na casa dos pais!

 

E aí, quando começam a chegar os filhos dos filhos? Quem vai ter que ninar, levar à escola? Alguns pais por comodismo não se importam de ensinar uma religião, também são os avós que assumem o comando. Se o menino é educado foram os pais que souberam educar! Se, porventura, forem rebeldes? Culpa dos avós que deram “tudo”… Quando o casamento do filho que foi e voltou com as malas é equilibrado, harmônico e pacífico, fica menos penosa a tarefa de abrigar.  Se o motivo da volta for “somente” uma crise financeira, menos mal. Casa de pais, onde “come um comem dez”. Menos mal ainda, se quem voltou aceita as regras da casa! Mas…nem sempre aceita e começa a exigir e ocupar muito, mas muito ESPAÇO!

 

É preciso refletir sobre o peso que filhos descarregam sobre o ombro dos avós. Sei que os avós, se puderem e tiverem saúde, recursos, espaço, disponibilidade e VONTADE, ajudarão com a maior boa vontade. Caso contrário, ajudam também, com o maior sacrifício. Avós com aposentadoria minúscula e saúde precária são sacrificados com todas as armas do ABUSO.

 

O que fazer? Filhos devem ser educados para que haja uma grande expansão da consciência para torná-los capazes de distinguir entre o que é AJUDAR e o que é ABUSAR! Quem não gostaria de ajudar os filhos na hora da necessidade, na carência, na aflição, socorrendo? Portanto, está proposta uma reflexão sobre o assunto: educar filhos para administrar suas próprias crises, evitando transferir para seus pais as adversidades que lhe sobrevierem. Evidentemente aquelas que puderem ser evitadas. Há filhos que não respeitam os parâmetros da justiça e saem descarregando absolutamente TUDO nos ouvidos alheios e de pessoas idosas quem não podem dar a solução.

 

O ninho paterno estará sempre de portas abertas aos filhos. Os filhos devem se preparar cada vez melhor para administrar uma eventual situação de retorno ao antigo Lar. O respeito é o melhor caminho de volta! Vovô e vovó estão se divertindo com um programa na TV ? Ensine seu filho a ir brincar lá fora, em outro espaço, jamais chegar, meter a mão e mudar o canal. A criança educada entende. Os avós advertiram o neto? Nunca discordem em público, divergências não se discutem com plateia. Tudo pode ser resolvido, sim, com perspicácia.

 

Pense nisto!

Ivone Boechat

 

Brasil

Brasil

Ivone Boechat

Brasil, ó meu Brasil,

como você penou

a vida inteira

em mãos

impiedosas e sacrificantes!

seu povo se dispõe a trabalhar

e crer,

sempre confiante,

num milagre!

Se uma luz se acende

não falta quem se consagre

a permanecer lutando,

brigando, gritando

por você, Brasil!

O Senhor desenhou,

de próprio punho,

cada recanto, cada rio, cada flor,

dentro de um território,

jamais visto,

em riqueza e esplendor;

não existe nada igual,

ninguém tem

essa obra feita sem rascunho,

de beleza

magistral,

impossível não agradecer,

dizendo amém.

 

A mensagem das estrelas

A evolução da tecnologia e a expansão dos meios de comunicação deram ao homem o conforto do presente século e se não fora a corrupção institucionalizada, desenfreada, a sociedade estaria provida de recursos para implantar a educação, gerir a segurança e cuidar da  saúde.

As comemorações do Natal estão no ar, com sua força mágica! As luzes estão piscando para denunciar a miséria mascarada e as vitrines arrumadas para debochar da pobreza dos abandonados. O materialismo transformou o maior banquete espiritual do universo num encontro marcado por uma multidão de contrastes.

Soam os primeiros acordes, mistérios, sinfonias, frases pulverizadas, os homens se esbarram para ver tudo de perto, longe um do outro! Nunca, em toda a história da humanidade, o ser humano se abasteceu de tanta informação global. Continua carente de amor, solitária e afastada dos princípios divinos.

O Natal com sua mensagem tão simples é sempre uma surpresa embrulhada e guardada para gerações e gerações. Muitos na pressa mórbida se esqueceram de ler a mensagem das estrelas, o recado dos anjos e a lição da manjedoura.

O lar cristão tem a responsabilidade de preservar o verdadeiro significado do Natal! A cruz, outrora pena de tortura dos romanos, não é símbolo do cristianismo, o berço da estrebaria é um recado, mas o que representa tudo isto é o homem como out door do bem- comprometido com a missão de  levar adiante a mensagem do Evangelho. Estas boas novas somos nós: eu e você.

Publicado  no meu livro Por uma Escola humana, 1ª edição, Freitas Bastos, 1987-RJ

 

O Brasil que eu sonho

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Por que a intenção de abandonar o Brasil na vala do analfabetismo? Um povo que mal lê, mal vê, mal pensa, mal vive, mal forma seus profissionais, não se torna uma nação livre. A multidão inebriada pela informação que mal compreende, bebe o veneno da mentira.  E se vicia.  Aí é fácil manobrar.

Uma sociedade refém da escassez aceita o que lhe depositam no chapéu. O que recebe a esmola se encanta com a benevolência dos santos que os canonizam na eternidade de mandatos “legítimos”. Um país rico e uma nação pobre!

O Brasil que nós precisamos e estamos esperando desde o descobrimento é o Brasil que seja visto pelo mundo e por nós com respeito. Respeito ao tesouro da gente linda que habita essa natureza fantástica.

De que vale selecionar grupos e beneficiá-los em detrimento de outros? Ou discriminar raças, opções, ideias, embalando preconceitos em pacotes sociais querendo impor este ou aquele caminho como via única? O ser humano tem o ideal da liberdade no softwear original.

O Brasil que nós precisamos é aquele que pode confiar em deixar seus recursos financeiros na mão de quem só vai utilizá-los em benefício do povo. Não existe dinheiro público. TODO DINHEIRO QUE ROLA NOS COFRES é PRIVADO: NOSSO.

Queremos que a justiça se implante igual para todos, porque não temos visto assim. Sempre o rico se beneficiando dos recursos e recursos e recursos.

O Brasil que nós precisamos não exige a eleição de homens santos, sem pecado ou deslize. Todo mundo erra. Deslizar é uma coisa, mas escorregar, se atolar na sujeira e gostar é outra. Espirra lama na educação, na segurança, na assistência social e médica. Quem se acostuma na lama acha que é normal.

O texto abaixo é para a reflexão.

Primeiro levaram os negros,

mas não me importei com isso,

eu não era negro

Em seguida levaram alguns operários,

mas não me importei com isso,

eu também não era operário

Depois prenderam os miseráveis,

mas não me importei com isso,

porque eu não sou miserável

Depois agarraram uns desempregados,

mas como tenho meu emprego,

também não me importei,

agora estão me levando,

mas já é tarde.

Como eu não me importei com ninguém,

ninguém se importa comigo. Bertolt Brecht

Ivone Boechat

Qual é o perfil do presidente de uma Nação?

Resultado de imagem para povo heroico brado retumbanteQuem está apto a governar um país riquíssimo, com belezas naturais indescritíveis, com variedade de climas e culturas que o mundo inteiro admira, com um povo disposto a trabalhar 40 horas por semana, ganhando o mínimo para sustentar corruptos que despojam e são premiados a todo minuto com a mordomia da “prisão domiciliar”? É um povo  com uma paciência de ferro : de quatro em quatro anos paga a propaganda política dos caras de pau que prometem tudo…

Como governar um país que amarga os últimos lugares no rendimento da educação, e alguém ainda pergunta por quê? Como assim? Há quantos anos o professor não recebe um tostão de aumento salarial? E a qualidade da formação profissional? Políticos podem matricular os filhos nas melhores escolas do país! Vão se preocupar com quê?

Como governar um país que foi destroçado pela corrupção contínua, com detentores das chaves do cofre de empresas outrora deslumbrantes, ora se arrastando para não falir. Muitas e muitas não resistiram e aí está o resultado, desemprego desumano e um tapa na cara de toda esta geração.

Qual é o perfil de um estadista?

  • Um estadista com alto grau de conhecimento e cultura, apaixonado pelo país que vai governar, sensível e pronto a ser um humilde cumpridor de sua missão:
  • Um estadista com alto grau de credibilidade, um cidadão do bem;
  • Um estadista que jure formar cidadãos brasileiros que honrem a Pátria.
  • Um estadista que jamais permita que alguém toque de forma criminosa nos recursos suados que chegam aos cofres do país;
  • Um estadista que jamais nomeie alguém para o exercício de qualquer função sem que se comprove a sua experiência e
  • Um estadista que represente com honra a sua Pátria, cumprindo e fazendo cumprir a Lei.
  • Um estadista sentinela das potencialidades do território brasileiro.
  • Um estadista com o propósito de estancar a sangria da violência.
  • Um estadista que envie os recursos da educação, da saúde, da segurança, sob vigilância constante de sua aplicação.
  • Um estadista que o povo brasileiro tenha orgulho de citá-lo por sua lisura, sua vida ilibada, seu nome sem mácula.

Ivone Boechat

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Dia dos pais

 

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No desencontro diário, na corrida desenfreada pela sobrevivência, o que poderia substituir o calor do abraço amigo de um pai ?

Quando a humanidade se desorganiza, atônita na fumaça da poluição e na palidez de medos e violências, uma voz se firma no aconchego da prece: seu pai.

Você, papai, não está superado, quadrado, caduco ou fora de moda. Seu Autor o desenhou, detalhadamente, no figurino do Universo para o equilíbrio do Lar.

Pai, você tem sido atacado de todas as maneiras e tem sofrido os dissabores da ingratidão e do abandono. A tecnologia se especializou na guerra contra a família e, muitas vezes, você lutou, quase sozinho, porém os séculos não apagaram seu discurso de amor.

Você ajoelhou-se, diariamente, e clamou por seus filhos. No exemplo, fortaleceu-se como homem correto e jamais se deixou abater nos apertos financeiros. Sempre estendeu a mão amiga nas horas tristes e mesmo não tendo muito para oferecer, deu tudo o que possui.

No seu Dia, receba o sincero reconhecimento por tantas horas de renúncia, de perdão, de afeto. Os filhos crescem para o mundo, todavia, ao seu lado, são crianças frágeis, sem juízo, peraltas. Mesmo discordando de suas idéias, na vaidade de conceitos “atualizados” e modernos, a última palavra é a sua.

Antigamente, quando pequenos, os meninos olhavam para cima para escutá-lo, e hoje, mais altos do que você, continuam a olhar para cima, porque o exemplo ficou muito acima deles.

 Ivone Boechat

Dia dos pais

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O que se espera do pai numa sociedade massacrada por desorientações sobre a família? O que representa o pai no mundo atual? Quem é o pai?  Como preparar alguém para ser um pai de família?  A educação tem a resposta e os recursos para a formação e o aperfeiçoamento do ser humano. Sem educação, aliás, com a distorção dos fundamentos essenciais, o que se constrói é uma caricatura do projeto divino. O próprio homem não se reconhece.

 

Para ser pai é preciso estar disposto a ser companheiro com uma capacidade absurda de humildade. Sim, a educação dos filhos vai exigir compromisso em todos os desafios. Não adianta fazer de conta que a tarefa é da mãe e deixar pra lá, só tirando os atrasos da omissão nos dias de festas e passeios.

 

A imagem do pai é fundamental, mas ele tem que sair dos altares da homenagem, cair dentro da batalha do cotidiano e fazer de tudo para não perder seus filhos para o mundo das drogas. Os traficantes de idéias deturpantes trabalham o universo da criança desde a mais tenra idade.

 

O pai deve estar atento a todo tipo de comportamento e ser muito cuidadoso. Ele deve saber que a droga da informação equivocada intoxica e arrasta a conceitos errados, ideologias irreais. As pessoas são convencidas de que o errado é o certo: “rouba, mas faz”, “os meios justificam os fins”, “roubou para dar aos pobres”;  “corrupto mas competente”…

 

A informação se especializa em mentiras e violência e isto é usado para corromper valores, porque o menino nativo digital tem acesso a tudo quanto é lixo virtual. Como disse Joseph Pulitzer( 1847-1911): “Com o tempo, uma imprensa cínica mercenária, demagógica e corrupta formará um público tão vil quanto ela mesma”.

 

Pai, compareça às reuniões da Escola do seu filho, confira os livros e tarefas, fique atento para não ter a decepção de estar educando seu filho em casa com preceitos e provérbios que você traçou para harmonizar a vida e a instituição paga com o seu próprio sacrifício esteja desarrumando tudo.

 

Ivone Boechat