Minha mãe

 

Na floração da vida,
no processo de multiplicação do amor,
semeiam-se no cálice do renascimento
gotas milagrosas do orvalho que germina: Mãe.

Mãe, símbolo de transformações
manipuladas por Deus;
no feliz seio do repouso amigo,
frontes curvam-se das amarguras da vida.

Mãe, muito mais que o fenômeno do conforto,
é complexo harmonioso
que sincroniza ternura e confiança;
simplicidade envolvente no discurso do amor.

Mãe, finalidade motora de corações latejantes,
compasso da música composta
na originalidade do nada-tudo;
é sabedoria justificada e definitiva.

Mãe, rosas vermelhas no canteiro da gratidão;
lágrimas de compreensão,
fluindo das flores do arrependimento,
como chuvas de perdão.

Mãe, coordenação da vida,
no embalo do berço e da saudade;
felicidade resumida no calor do abraço.
Mãe-esperança.

Ivone Boechat

Como conviver com o idoso

 

 

1- Nunca pergunte a um idoso: qual é o segredo de viver tanto assim? Porque a pessoa não vai lhe convencer ou vai dizer que não sabe a resposta. Quem vai adivinhar como se vive anos e anos, com tanta virose, corrupção, mentira, tapeação, bala perdida, exploração… ruindade!
2- Nunca telefone ou visite um idoso entre 12:00h e 16:00h. TODO idoso gosta de descansar nesse período sagrado.
3- Jamais conte um problema ao idoso. Ele vai poder ajudar? Também não seja o problema do idoso: é covardia. Ele não vai ter como se defender.
4- Nunca interfira na decisão do idoso: se ele decidiu ser enterrado ou cremado. Não fique reclamando do preço da cremação, do túmulo..Nem fique agourando e perguntando o que a família deve escrever por cima do túmulo.
5- Nunca diga ao idoso: essa história você já me contou dez vezes. Diga a ele que a história é interessante e o ajude a resumi-la. Ele vai entender que a história é conhecida!
6- Não estimule o idoso a se lembrar de um fato que lhe cause sofrimento. Desvie sempre a tristeza para o lado bom de tudo.
7- Não explore a disponibilidade do idoso, lembre-se que ele já trabalhou muito e hoje não tem mais resistência, saúde e vigor para tomar conta de problemas e cachorros… dos outros. Deixe em paz o cartão bancário com o pagamento da minguadíssima aposentadoria. Vai à luta!
8- Mude o canal da TV quando o assunto é desgraça!
9- Ao visitar o idoso, leve algo que lhe faça bem à saúde: boa conversa, estímulos, boas notícias… palavras cruzadas, linha para crochê… uma fruta que ele possa consumir… um livro. Nas festas de aniversário e Natal, seja criativo! Chega de tanto pijama e chinelo.
10- Lembre-se: a pessoa idosa tem todo direito à felicidade e não vai ser você que vai atormentar os derradeiros dias da vida de ninguém. Exercite a gratidão, o perdão, a solidariedade e chega de despejar lixos de traumas, tristezas antigas e carências na caçamba que a vida cismou de colocar na porta de quem lutou tanto para resistir às intempéries.

Ivone Boechat

Mãe


Mãe, morada primeira do ser que se candidata à vida,
tabernáculo de admissão ao mundo,
onde a alma ganha corpo e este a liberdade: laboratório de Deus.
Mãe, braços quentes, colo farto, serenidade e amor,
elo que liga a corrente da união que gera força,
criatura frágil que traduz o mistério da vida no ventre e
se deixa fortalecer na grandeza da maternidade.
Mãe, missionária aventureira das poeiras do passaporte da vida,
calor que faz pulsar corações,
nas oficinas mecânicas de suas entranhas:
doce milagre de oferecer o conforto da possibilidade de existir.
Mãe, altar edificado no desencontro,
especialista da seção de achados e perdidos,
estandarte branco da paz pendurado na janela do perdão,
companheira anônima na estrada sem retorno do amanhã.
Mãe, você plantou esta flor que hoje lhe oferecemos, no seu Dia,
tivemos a alegria de trazê-la,
é homenagem com o cheiro das manhãs radiosas que você regou de lágrimas, orando por nós.
Deus ouviu. Ele escuta as mães que oram com fé.
A resposta está aqui, porque viver é uma graça, é um milagre.
Estamos vivos e com saúde para abraçá-la.

Ivone Boechat

Mãe, seja uma TV a cabo do BEM

 

 

Mãe – seja uma tv a cabo do bem!

É muito triste, sim, assistir pelos meios de comunicação, em “tempo surreal”, um episódio como esse que jornais do mundo inteiro estampam, quando um jovem, com sério transtorno de comportamento entra, intempestivamente, escola adentro e mata crianças em sala de aula. É dolorida essa aula! É uma aula salpicada de sangue, banhada em lágrimas. No mesmo dia, repórteres perguntam aos alunos sobreviventes, aos professores em estado de choque, aos pais horrorizados, que lições pode se extrair do fato. Todos dizem em uníssono: ficamos mais unidos, estamos solidários, nossa dor é uma só.
Isso faz lembrar quando o furacão Wilma arrasou uma cidade americana e os repórteres faziam perguntas aos sobreviventes. A resposta de uma senhora ficou gravada:“Com o furacão, tive o prazer de me aproximar da minha vizinha de muitos anos; ela me viu aflita e me ofereceu uma xícara de café”.
O brasileiro é solidário sempre, mas a exemplo de muitos cidadãos do planeta, vem adotando um estilo de vida preocupante, ultimamente, tem se isolado. Será que é preciso um furacão, um terremoto, um tufão, uma chacina para as pessoas se unirem, se conhecerem, se amarem? E oferecerem uma xícara de café ao vizinho ?
Atitudes equivocadas contribuem para a educação equivocada. O mau uso dos meios de comunicação tem sido um terror no universo humano. É um dragão que se aperfeiçoa para ajudar a destruir o equilíbrio emocional. A criança chega à escola ainda bebê, muitos chegam de fraldas e dão de cara com uma escola atropelando os princípios que fundamentam as emoções. A escola tem o som, todavia, não respeita o limite da capacidade auditiva humana: o som é altíssimo. A escola tem computadores e os supervaloriza, em detrimento das brincadeiras, das músicas brasileiras, das histórias, das poesias, de dramatizações, do folclore, dos jogos no recreio. Recreio? Cadê o recreio?
O Brasil é uma potência em alguns aspectos, mas tem contrastes sociais de submundo. A educação envergonha essa nação perante os olhos do mundo.
Não se têm recursos para acabar com a violência, porém, pode-se educar para reduzir o gosto por ela. Há canais de tv que estão se transformando em delegacia de polícia, ao vivo, dentro da casa daqueles que veneram a violência. Isto adoece o imaginário e traz transtornos de comportamento. Serve também de universidade do crime. Forma bandidos. Faz escola.
Andrew Oitke, professor da Universidade de Harvard, publicou o livro Mental Obsety, e denuncia que “A nossa sociedade está mais sobrecarregada de preconceitos do que de proteínas”. E afirma que “É hora de refletir sobre os nossos abusos no campo da informação e do conhecimento, que parecem estar dando origem a problemas tão ou mais sérios do que a barriga proeminente. ‘Profissionais da informação’ vendem gordura trans em excesso”.
Oitke demonstra preocupação com essa ‘alimentação intelectual’ tão carregada de adrenalina, romance, violência e emoção. “É possível supor que esses jovens jamais conseguirão viver uma vida saudável e regular. O homem moderno está adiposo no raciocínio, nos gostos e nos sentimentos. O mundo não precisa de reformas, desenvolvimento, progressos. Precisa, sobretudo, de uma dieta mental”.
Mãe, lute para reduzir a comunicação da desgraça dentro de sua casa. Seja uma tv a cabo do bem e não reproduza desgraça nenhuma:na hora das refeições, nas festas da família, nos encontros do shopping, nos arredores dos templos… Não superdimensione o crime, a hecatombe, o tsuname, não se transforme numa assombração a serviço da mídia pererê, ensinando que o mundo está no fim. Não pegue um caso isolado e o generalize.
Nunca se viu nada igual a essa matança mundial nas escolas, nenhuma nação está livre disso. Não fique então martelando que as escolas agora não têm segurança, que o mundo está perdido. Não deixe seu filho, seu neto, ninguém aterrorizado, achando que isso é sempre assim, uma coisa normal, mas, sobretudo, eduque para que se aprenda a usar a metainformação, selecionando tudo de bom e maravilhoso que existe nessa Terra linda. “Do Senhor é a Terra e a sua plenitude”.
O mal não vencerá o bem. Então faça a sua parte!
Ivone Boechat

Ano Novo

O ANO NOVO sempre é
uma caixa misteriosa de oportunidades, dias, novidades, lágrimas, esperanças, guardada com 365 papéis, longe da curiosidade humana. Por mais que se esforcem para olhar, além dos minutos que os rodeiam, a visão está nublada por empecilhos das noites e das dúvidas. Somente as horas se encarregam de abrir as páginas da vida.
A eternidade do tempo, sem medida nem conta, caiu na balança dos homens e desbotou-se na ferrugem de sua limitação. O ano ficou velho! É uma vingança deste ser, consciente da mortalidade, sobre o imorrível ANO NOVO, sempre.
Não importam os calendários velozes e passageiros. A peregrinação pela estrada da vida conduz ao intransferível fim. Morre-se com os segundos. É necessário, portanto, repensar o tempo e recriar a vida. Ambos caminham imprevisíveis e horizontais.
Quando as flores se curvam ao peso do orvalho ou se cansam do colorido jardim; quando os pássaros se confundem na revoada e nos cantos, há prenúncios de transformações e mudança. Nada ficou velho: os vôos se reabastecem na distância, as vozes se afinam em lágrimas, e as flores adormecem em pétalas, junto aos caules, para alimentar o resplandecer dos botões.
Neste ANO NOVO, que se faça o balanço das atitudes, subtraindo, na contabilidade da vida os fatores geradores de débitos para com o próximo. Na prestação de contas deste ano, que os prejuízos sejam pagos em doze novas prestações de amor.

Ivone Boechat

Era das comunicações?

 

 

A Era da metainformação que se iniciou no Éden sempre foi e será uma faca de dois gumes. Depende de quem a usa… O que se vê hoje é a mesma apologia do mal; do feio; do indigno; do transtorno; também generalizado na tv a cabo da língua, mal usada, solapando para semear a dúvida e tirar a esperança. Pode-se reverter pela educação. Não com a educação adotada para emburrecer e encurralar. De um modo comum é assim: faltam eleitores no curral? Então, mãos à obra para produzir mais… mentiras.
É um grande perigo a comunicação mal usada. Com tantos recursos e instrumentos de comunicação, a responsabilidade do educador se amplia. Quem escuta, vê e lê o que se fala ao vivo, olho no olho, é uma coisa. Tem entonação, sinais faciais, nuances, ritmo, timbre, gestos, emoção e tudo isto é poderoso para dar o tom, a direção, a intenção, a compreensão. Quando se passa um e-mail, quem o que recebe, dá a interpretação dele, jamais igual a que saiu, porque ao chegar lá é travestido pelo olhar cultural e pela carência, não mais do próximo, mas do outro, longínquo.
Deve-se ensinar a comunicação simples, sem trejeitos, sem entrelinhas, para que o outro leia com objetividade e sem chance de desconfiar e dizer: o que tem por detrás disto?
As aulas e as mensagens pela tv, pela Internet, passam pela revisão da percepção visual do ouvinte e chegam à racionalidade totalmente filtrados pela emoção. A simplicidade de tudo o que se comunica pode ajudar a reverter muitos conflitos pessoais/digitais.
Com a força e a sedução da comunicação e a necessidade social de modelos, a comunicação deita e rola por cima dos conceitos morais e religiosos de cada um. Ela faz e desfaz contextos. Ela usa tanto e tão bem o espaço, que deixa a impressão de que o desajustado é aquele que não adotou o que ela dita como regra. Muitos se culpam e se discriminam com um ser fora de moda, ultrapassado.
Esta é a Era da mentira! O pai da mentira todo mundo sabe quem é? Não sabe? Ele é dissimulado, insistente, mascarado, iluminado, se apresenta como “um anjo de luz” para enganar, perverter e conquistar, se pudesse “até os escolhidos” O escolhido é você, somos nós, premiados para viver “num país tropical, abençoado por Deus”, fantástico, lindo, mas, infelizmente, desgovernado. A geração que está chegando agora, com a mochila e a bolsa de fraldas para a matrícula numa escola, com alguns meses de vida, precisa urgentemente de educadores para iniciar a obra educacional já com atraso. O Brasil estampou uma estatística ridícula de todos os tipos de analfabetismos nas costas da sociedade, porque o resultado do fracasso respinga em todos os setores. Se a educação é abaixo da crítica… o que dizer da autocrítica?
Há esperança, mas falta coragem. Lares, igrejas, escolas, ongs do bem, precisam tomar a posição na dianteira para afastar minorias do mal, barulhentas, mas empreendedoras que pretendem ocupar o vazio da falta de diálogo em casa, das regras equivocadas em nome da religião, do currículo distorcido das universidades, das propostas indecentes e do assédio imoral da pedagogia de certas escolas. Sobram professores, faltam educadores!

Ivone Boechat

É guerra

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É guerra! As pessoas ficam muito preocupadas com o advento de uma guerra mundial Quando será? Quando o mundo vai acabar? O que acontecerá, e quem escapará? Se você parar um pouco para analisar a situação do mundo, hoje e sempre, em todos os setores, a conclusão é que sempre estivemos em guerra: individual; grupal; nuclear; atômica; e a guerra de informações que mata conceitos, idéias, religiões, sonhos e sai deformando o que encontra pela frente. A informação cria factóides, deturpa, derruba, mas também recupera monstros arquivados sobre processos esquecidos e guardados. O jornalismo tem o lado positivo: é a única oposição do planeta! Os partidos políticos se nivelaram…

O mundo acaba e começa todo dia! Os que esperam um grande estrondo para o começo do fim, ou mais dores alheias, algum fato extraordinário, é só acompanhar o que se passa no mundo, porque há fatos extraordinários e coisas impossíveis acontecendo de segundo em segundo, e dores, guerras, rumores de guerras. Não há escassez de estrondos nem de mortes. Há pessoas surdas, que nem percebem estrondos, e insensíveis que não se apavoram com todo tipo de morte.
“E neles se cumpre a profecia de Isaías, que diz: Ouvindo, ouvireis, mas não compreendereis, e, vendo, verei, mas não percebereis” Mateus 23:14.

As armas desta grandiosa guerra são visíveis e invisíveis. Faz-se pacto virtual de amor e ódio. Disseram os profetas que os homens fariam sua casa nas estrelas. Não só as fizeram como as visitam, periodicamente, para supervisionar o arsenal ali instalado. É o começo do fim? Ora, se é o começo, então já estamos dentro, e muitos não sabem. Felizmente, na batalha da educação há milhares de soldados inscritos pelejando, mas “a seara é grande”.
A tecnologia está equipada com poderosos recursos a serviço da destruição, porque as verbas destinadas à guerra são infinitamente maiores do que as reservadas para a promoção e a preservação da paz. Os valores para o julgamento das nações estão fundamentados no poder de guerra. Existe concorrência internacional para a escolha do mais armado. E quem sai ganhando, de longe, é a guerra da mentira nas informações.
A classificação da melhor potência é baseada na economia. O Brasil é a 6ª potência econômica ou seja, dinheiro ele tem para a sociedade viver no conforto geral e até para rasgar nota de cem. Ele não precisa de esmola de bolsa disso ou daquilo. Basta implantar a educação. Esta, sim, igualiza, democratiza e promove o desenvolvimento. Por que não se estabelecem salários dignos, aposentadorias leais, ao invés de expor as pessoas correndo atrás de bolsas? Todavia, corre-se atrás de tudo: hospitais; escolas; segurança; com o bandido correndo atrás. Nessa olimpíada, o troféu é daquele que tem espaço maior e melhor para mentir.
O mundo acaba toda hora! Basta precisar de uma ambulância, de vaga na UTI, de escola para um filho especial. A qualidade da educação denuncia o fim do mundo dessa criança e de sua família. E pior, se é que pode existir coisa pior: o contribuinte eleitor se apaixona pelo político algoz e o reelege para mais quatro, oito anos e sempre! Quer saber mais? Tem saudade dos corruptos… ”Rouba, mas faz”
Tudo ao redor cheira à transitoriedade, à mudança; razão pela qual ameaçar e amedrontar são verbos muito conjugados por aqueles que dominam pela mentira. Em meio a tantos desafios, o ser humano se embaraça nos labirintos do caminho que não soube construir e morre no corredor do hospital. Quando tem vaga, geralmente, o fim do mundo é do lado de fora, esperando. A família não pergunta mais como vai o doente. Pergunta para onde foi o doente. De vez em quando some um.
A Escola deve insistir no despertamento da sensibilidade e na formação de cidadãos educadores. Que a proposta pedagógica tenha objetivos alcançáveis, e que se deixem de lado os recursos antididáticos eleitoreiros, para que em meio a tantos desentendimentos se estabeleça a compreensão, o recomeço, o diálogo, a ética.
Muita atenção aos currículos, programas, planos, livros didáticos, e, sobretudo, à postura do educador, que inconsciente, vem usando a sua magia para formar poderosos soldados desta guerra, nada fria, no meio da paz quente que se inicia, quem sabe, dentro da sala de aula?

Ivone Boechat

Quem é o pastor?

 

Quem é o pastor?

O pastor é um homem especial, tem uma chamada especial; mas continua ser humano. Suas reações, por mais discretas, dirigidas ou reprimidas, revelam ao filho menos atento quando alguma coisa entra em estado de alerta, abatimento, ou crise. Como homem, o pastor tem a necessidade de desabafar e de trocar experiências com alguém sobre suas preocupações, provações, decisões. Ninguém melhor do que sua esposa para ouvi-lo e ajudar nos impasses. Acontece que a mulher do pastor é mãe e seu comportamento emocional se altera e isto se reflete nas relações do lar. Mais cedo ou mais tarde o elo de preocupações estará feito e todo o grupo vai perceber e pode sofrer; até calado, mas sofre. Aprendi, bem pequenina, como filha de pastor, que: “em boca fechada não entra mosca”; “quem muito fala, muito erra”. “quem muito fala dá bom dia a cavalo”. “o peixe morre pela boca”.
Como as pessoas se esquecem de que o pastor é mortal, sujeito a erros, fraquezas, angústias, tristezas! É filho de Deus, com missão especial no reino e precisa da misericórdia constante para exercer esse ministério. No mundo acadêmico o verbo é saber. No mundo artístico o verbo é criar. No capitalismo, o verbo é ter. No ministério pastoral, o verbo é ser. Ser ministro do Evangelho é um grande privilégio. O Apóstolo Paulo concluiu: “Mas, pela graça de Deus, sou o que sou…” I Co 15:10.
Pastores são obreiros segundo o coração de Deus, homens segundo o coração de Deus; são aqueles que têm uma consciência amadurecida da sua condição diante do Senhor e da obra que têm para realizar. O pastor é um profeta; é porta-voz de Deus. “Não havendo profecia, o povo se corrompe…” Pv 29:18. Nunca duvidem, porque Deus mostra mais coisas ao pastor do que se imagina… Ele tem informações privilegiadas, vindas do céu, no tempo e no espaço. ”Ele é o anjo da igreja” Ap 2:8. “Com certeza o Senhor Deus não fará nada, sem antes revelar o seu segredo aos seus servos, os profetas” Amós 3:7.
O profeta Jeremias diz que “É Deus quem dá pastores ao povo”. O pastor não é um empregado da Igreja, é um servo exercendo o ministério recebido do céu, convocado por Deus. “E vos darei pastores segundo o meu coração, que vos apascentem com ciência e com inteligência” Jr 3:15. O dinheiro que gera o salário do pastor é de Deus; fruto do dízimo que as pessoas devolvem à Igreja. O patrão é o Senhor; é com o dinheiro dele que se sustenta a obra. A Igreja apenas administra e obedece ao que lhe foi ordenado: “…Digno é o obreiro do seu salário…”. Lc 10:7
O pastor é sentinela da verdade. Doa a quem doer: se Deus mandar, o pastor tem que pregar o que lhe foi ordenado. “Jamais deixei de anunciar todo o desígnio de Deus” At 20:27.
O pastor é um guardião do Evangelho e das doutrinas: “Porventura, procuro eu, agora, o favor dos homens ou o de Deus? Ou procuro agradar a homens? Se agradasse ainda a homens, não seria servo de Cristo” Gl 1:10.
Com missão tão gloriosa e árdua a cumprir, os pastores se esforçam para agradar e sofrem quando percebem que a expectativa era maior e mais, muito mais. Os que exigem perfeição no trabalho do pastor (e são muitos), cobram e cobram, não deixando passar nada. Há até aqueles que falam mal da Igreja, do pastor, da denominação, de tudo, perto das crianças e depois vão procurar ajuda para entender as causas do desajuste espiritual dos seus filhos e dos filhos dos outros. Promovem encontro disto, daquilo e daquilo outro, tentando buscar recursos para ajustar a família. Causas de desajuste? Um deles, com certeza é o mau exemplo. Às vezes, não se compreende porque tantos jovens se afastam da Igreja e fogem dos crentes; não querem nem ouvir falar de Bíblia; de culto de oração; de escola bíblica; …embora tenham sido pessoas educadas, desde bebês, num ambiente cristão, dia e noite, na Igreja e se decepcionaram.
O pastor é mensageiro de Deus, conselheiro, profeta, nosso irmão na fé, porém, não é super-homem. É humilde servo do Senhor, chamado para o cumprimento da missão. Há muito espinho na obra, pode-se garantir isto. Ele precisa do apoio, das orações, de cooperação para não fraquejar nem esmorecer nas tentações.
O pastor precisa preparar, por ano, no mínimo, mais de cento e cinquenta mensagens, só para o púlpito; mais ainda para os cultos fora da Igreja. Ele precisa ler e se atualizar, sempre, para não ficar repetitivo; a sua aparência deve estar ótima; o humor em nível altíssimo; a paciência deve ser inesgotável. Se errar, dificilmente será compreendido. Muitas pessoas, com muita experiência, perseguem os pastores, exigem deles a perfeição, desafiam e perturbam o ministério, em nome de um enorme zelo pelo Evangelho. Zelo pelo Evangelho seria adotar os princípios da ética cristã e contribuir para a valorização da obra da Igreja através do exemplo de sua vida espiritual, em crescimento, com muita discrição e muito zelo ao falar. A discrição passa longe, muitas vezes. Ninguém pode negar que os tais são experientes mesmo. Derrubam o que encontram pela frente. Nada para eles está bom, tudo está errado, são campeões de críticas e só críticas. Os experientes profissionais não têm nenhuma pressa, às vezes, levam anos e anos, até conseguirem êxito. Atiram no que veem e derrubam o que não são capazes de ver: o bom nome da Igreja.
Pastor, “no dia em que o senhor for totalmente compreendido, o senhor estará totalmente superado”!

Ivone Boechat

Sociedade Show


A humanidade é pressionada por estridentes sons, êxtase, luzes, euforia, avisos, banners, promoções, fotos, pichações, ilustrações, slides, tatuagens, comerciais, filmes, roupas personalizadas capazes até de convencer que é moda, que é chique, que é moral. O processo de coerção, antes lento, sem imagens, nas cavernas, se escancarou aos olhos do mundo, ao vivo, em tempo real, sem autoria, anônimo. É aí que se grita pela falta do educador orientando, moderando, selecionando, criticando. É preciso ensinar a ouvir e a ver! Esse clamor se torna emergência, porque os analfabetismos se atropelam na estrada do avanço tecnológico e da informação. Que se implante a educação audiovisual.
Nos Estados Unidos surgiu nos últimos anos a media literacy, ou, “alfabetização para a mídia“ – “educação pela e para a comunicação”. Aliás, não é novidade, Adão tinha essa orientação divina lá no paraíso…
A educação está desafiada a acelerar seu ritmo na olimpíada pedagógica, chegar primeiro e, competentemente, preparar as emoções da sociedade, ajudando-a a tomar posse das conquistas, a decifrar mistérios e prosseguir.
A sociedade exige a presença de “alfabetizadores” capazes de ajudá-la a ler e a interpretar não somente o código de redes, senhas, sites, twiter, msn, e-mail, facebook, blogs, orkut, mas, sobretudo, que ajude o cidadão a tornar-se alfabetizado social, ou seja, um letrado cultural para interpretar a cultura das épocas, e, principalmente, produzir ciência, ser feliz, transcender.
A educação deve contribuir para que o homem desta Era da metainformação e da interface selecione sites, se interesse pela diversidade cultural, saiba apreciar um som e identificá-lo, compartilhe ritmos, tenha olhos e ouvidos educados para perceber os excessos.
Há muito tempo e, principalmente no Século XIX, quando já se discutia sobre a sociedade da sensação, profetizou-se a supervalorização das aparências e transparências do universo eletrônico que se expandia no mundo imaginário.

Fernando Hernández, professor da Faculdade de Belas Artes de Barcelona, na Espanha diz que “Estamos imersos numa avalanche de imagens e é preciso aprender a lê-las e interpretá-las para compreender e dar sentido ao mundo em que vivemos”.

Andrew Oitke, professor da Universidade de Harward, autor do livro Obesidade Mental, denunciou que “profissionais da informação vendem gordura trans em excesso” e concluiu: “Com uma ‘alimentação intelectual’ tão carregada de adrenalina, romance, violência e emoção, é possível supor que esses jovens jamais conseguirão viver uma vida saudável e regular”.
Afirma Oitke: “O jornalista alimenta-se, hoje, quase que exclusivamente de cadáveres de reputações, de detritos de escândalos e de restos mortais das realizações humanas. A imprensa deixou há muito de informar, para apenas seduzir, agredir e manipular”.
Esse jornalismo da sociedade do espetáculo não se importa com os estragos emocionais que provocam na família. “O conhecimento das pessoas aumentou, mas é feito de banalidades. Todos sabem que o Kennedy foi assassinado, mas não sabem quem foi Kennedy”.

Oitke é otimista e conclui: “Não se trata de uma decadência, uma «idade das trevas» ou o fim da civilização, como tantos apregoam. É só uma questão de obesidade. O homem moderno está adiposo no raciocínio, gostos e sentimentos. O mundo não precisa de reformas, desenvolvimento, progressos. Precisa, sobretudo de uma dieta mental”.

No espetáculo show da religião seria diferente? Todos sabem que luzes, shows e o estrondoso som eletrônico invadiram o território sagrado dos templos e, sem pedir licença à capacidade emocional auditiva e visual, sacudiram as estruturas do espaço reservado para a oração, a meditação e a comunhão.
Rosane Borges, professora do Departamento de Comunicação da Universidade de Londrina-Pr diz que “essa tendência de espetacularização de tudo é prejudicial, porque não está em consonância com a contemplação, com a reflexão”.
Ivone Boechat

Como tudo começou?

É impressionante a maneira como algumas igrejas tratam suas páginas de apresentação na Internet. 95% não têm o resumo de sua história. Não se pode considerar resumo de história o espaço de uma linha com o título nossa história. Resumem tanto que só informam a data da organização e a lista de pastores que passaram por lá. Às vezes incompleta, equivocada. Mais nada.
Os livros de atas das igrejas muitas vezes não têm o devido resguardo e ficam arquivados em lugares nada recomendáveis: armários cheios de traças, salas multiuso (entulhadas). Isto quando um faxineiro desavisado não toca fogo em tudo para desocupar espaço, como tem acontecido. Amanhã, quando um jovem perguntar como surgiu esta igreja ou aquela, quem saberá contar?
Toda igreja deve ter alguém designado oficialmente e responsável pela preservação de sua história. É fascinante quando se abre o site de uma igreja e lá estão contados o seu início, os nomes dos membros fundadores, as lutas enfrentadas, as vitórias e a galeria de fotos dos pioneiros, com o devido período anotado embaixo da foto.
O comportamento indiferente à história das raízes da implantação do Evangelho nas cidades, relega a plano nenhum, de consideração, a luta que os antepassados travaram para que a liberdade religiosa fosse respeitada. Os que estão chegando precisam saber como tudo começou para valorizar toda essa conquista. Não foi nada fácil. Nos estudos dominicais, pelo menos uma vez por ano, as igrejas deveriam estudar a vida e a obra dos pioneiros do Evangelho na sua cidade.
“O pastor Bowen foi o primeiro missionário enviado ao Brasil pela Junta de Richmond, associação de igrejas batistas do Sul dos Estados Unidos. Sua missão era organizar uma igreja de língua inglesa para os imigrantes americanos. Também tinha intenção de trabalhar entre os escravos, já que vinha de um longo período como missionário na África, onde inclusive aprendera o dialeto iorubá, corrente entre os negros traficados para o Brasil”.
“Além de sofrer sérios problemas de saúde, o pastor foi impedido pelas autoridades de propagar uma mensagem cristã que se caracterizava pela distância com os ensinos católicos, até então a religião oficial do país”.

História dos Batistas

“Os primeiros missionários junto aos brasileiros foram William Buck Bagby, Zachary Clay Taylor e suas esposas (1881-1882). O primeiro membro e pastor batista brasileiro foi o ex-padre Antônio Teixeira de Albuquerque. Em 1882 o grupo fundou a Primeira Igreja Brasileira em Salvador, na Bahia. A Convenção Batista Brasileira foi criada em 1907”.

HISTÓRIA DO PROTESTANTISMO NO BRASIL

Assim como Dr.A.B. Christie, os missionários que vieram ao Brasil e se distribuíram por todos os estados brasileiros, tinham a tarefa de lutar pela liberdade do culto, evangelizar, plantar escolas, igrejas, orfanatos, desde a recente data de tolerância da igreja católica que durante mais de 300 anos perseguiu e proibiu qualquer entrada ou iniciativa contrária aos seus dogmas. Esses missionários lutavam pela liberdade religiosa.
A história registra: “Em virtude do predomínio do catolicismo no país e do fato de a Igreja Católica ser a religião oficial, os protestantes, tanto estrangeiros como brasileiros, enfrentaram sérios entraves ao longo de boa parte do século 19. Suas casas de culto não podiam ter a forma exterior de templos, os fiéis não podiam casar-se legalmente ou registrar os seus filhos, as crianças evangélicas sofriam discriminação nas escolas públicas e havia outras formas de intolerância aberta ou disfarçada. Outra restrição imposta aos protestantes dizia respeito aos cemitérios”.
Quem não fosse católico não tinha direito nem ao sepultamento nos cemitérios. Dentre milhares de fatos iguais um exemplo desta realidade aconteceu no dia 29 de setembro de 1867, em Iguape-SP, o líder religioso protestante, Frank McMullan faleceu e foi enterrado no quintal da casa de um outro alemão.
“Aos estrangeiros protestantes só cabia a opção de construir seus próprios cemitérios ao ar livre como era feito com os escravos e marginais”.
http://salvadorhistoriacidadebaixa.blogspot.com.br/2011/04/cemiterio-dos-ingleses.html

Em 1810, o artigo 12 do Tratado de Navegação e Comércio estabeleceu que “deveriam ser escolhidos alguns terrenos para servir de cemitério aos súditos britânicos que, por não serem católicos, não podiam ser enterrados em templos católicos ou em pequenos cemitérios a eles anexos, devendo ser enterrados em qualquer outro lugar: nas praias, nas campinas ou em outras áreas descampadas”.

Um apelo: pesquise a história da sua Igreja.

Para ler mais sobre o assunto, consulte os sites:
http://basilio.fundaj.gov.br/pesquisaescolar/index.php?option=com_content&view=article&id=567
http://www.mackenzie.br/10221.html
http://www2.uol.com.br/debate/1624/cadd/cadd.htm
http://www.pibrj.org.br/historia/arquivos/historia_batistas_I.pdf
http://pt.wikipedia.org/wiki/Conven%C3%A7%C3%A3o_Batista_Brasileira

Ivone Boechat