Como vivem os vovôs no Brasil ?

 

Pesquisa realizada pelo Ministério da Saúde mostra que dos 93 mil idosos que são internados a cada ano no Sistema Único de Saúde (SUS), 27% são vítimas de violência. Só em 2007, 116 mil pessoas, acima dos 60 anos, foram agredidas Brasil afora, segundo dados do Governo Federal. Dos 19 milhões de idosos brasileiros, 12% já sofreram maus-tratos e 54% das agressões são causadas pelos próprios filhos.
O que a chamada família pós-moderna está fazendo com seus idosos?
Eles estão vivendo muito mais. Já estão ultrapassando o patamar dos 100 anos. A grande maioria tem renda de pelo menos um salário mínimo; boa parte deles está lúcida, morando na casa de parentes, porque o Brasil se esqueceu dos idosos, tirou deles o que pode e o que nunca poderia tirar, com a desculpa da falta de verba. A verba, foi aquilo tudo com que o idoso contribuiu a vida toda para ter um mínimo de conforto, na velhice. Mas cadê?
Como os filhos cuidam de seus pais, avós, bisavós, tetravôs? A manchete policial denuncia que a violência contra os idosos acontece dentro de casa! Não é violência física só, não, é muita violência moral. Marmanjos exploram a mísera aposentadoria dos idosos, se apossam de cartões e senhas. Até para comprar remédios é um sacrifício, não sobra. O idoso “vive” das sobras de tudo…
Há aqueles parentes atacados pelo espírito devorador de herança ou o irmão gêmeo que é o espírito devastador de exploração que se encostam na minúscula casa dos pais idosos; marcam o território; ditam regras; estabelecem onde vão se alojar definitivamente; espremem os velhinhos e os empurram, dentro da própria casa, para o lugar menos confortável. Outros sobrecarregam os pobres coitados, botam uma carga desumana de tarefas sobre eles: tomar conta de crianças nas férias e nos fins de semana para os folgados passearem; pagar conta nos bancos; levar os moleques para a academia, para a aula de inglês, para a igreja. E ainda põem, sobre os idosos, a culpa por todos os comportamentos errados e considerados descuidos da educação: são seus avós.
Há filhos que frequentam a casa dos pais como se ali fosse um consultório de psicanalista, psicólogo, psiquiatra. Despejam todos os problemas sobre as costas dos idosos, se aliviam das próprias mazelas, contraídas por decisões e negócios errados; discutem, brigam, se desentendem, tudo na frente dos coitadinhos; depois saem com a maior cara de pau, dizendo que não sabem por que os pais vivem com a pressão tão alta. Outros obrigam os pobres idosos a contrair dívidas junto aos bancos, nos empréstimos aviltantes, para trocar de carro, mandar os pimpolhos para a Disney etc.
Por que certos parentes tratam tão mal seus idosos? Será que eles pensam que só o próximo ficará idoso? Será que eles pensam que têm direito à juventude eterna? Será que eles pensam que Deus é injusto? O que passa de violência contra os idosos na TV é simplesmente inacreditável. Será que se pode instalar uma câmera e gravar o filme dos idosos vivendo na família? Pois é, mas as cenas estão sendo gravadas pelo céu, Deus vê.
Coitados daqueles vovôs que ficam presos a uma desconfortável cama, no quarto mais solitário e quente da casa, com um copo de água morna sobre uma cadeira para não ficar incomodando a toda hora, pedindo água. Outros decidem colocar precocemente um fraldão no idoso, quando ele apresenta uma pequena dificuldade para andar, por preguiça de levá-los ao banheiro. Alguns ainda colocam todas as cartelas de comprimidos juntos na cadeira e um relógio para o próprio idoso tomar as pílulas na hora certa. Certa? A certa altura da vida, os vovôs correm o risco de trocar tudo. Estão morrendo idosos aos milhares porque trocaram os medicamentos ou tomaram em excesso…
É bom colocar um celular bem simples colado no vovô para ele discar o número 100 e denunciar os maus-tratos. Porque, se vão para os hospitais, mesmo com plano de saúde, se arriscam a tomar sopa na veia, éter no músculo e ter os aparelhos desligados, porque o agente funerário tem pressa.
O único mandamento da Bíblia com promessa é: “Honra teu pai e tua mãe, para que se prolonguem seus dias sobre a Terra” (Efésios 6, 2).
Ah, Brasil! Sua população está ficando idosa, suas políticas sociais também; muitos políticos caducaram e os vovôs sobrevivem, assistindo, pela TV, ao que eles andam fazendo com o suado salário que lhes foi subtraído das aposentadorias.
Ivone Boechat

A Arte de formar educadores para o uso inteligente das emoções

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Nesta alvorada da criação a humanidade continua recriando a eterna Era do conhecimento, com erros e acertos, desde que o homem deletou o e-mail do Criador e “tocou na árvore do conhecimento”. Esta árvore do conhecimento é também usada no texto sagrado como sinônimo de árvore da vida, ou seja, árvore de emoções. O Senhor, sabedor de que o homem estava no Seu jardim da infância, soletrando as primeiras letras da alfabetização emocional, colocou no regimento interno da Escola Paternal: “Se tocares na árvore do conhecimento, certamente morrerás.” Poderia ser assim a conversa entre Criador e criatura: Produzirás a bomba atômica e certamente morrerás, criarás o avião, e, certamente morrerás…
O aluno Adão fugiu do jardim, uma escola ultramoderna, já informatizada, e foi conferir a tv a cabo do mal. O analfabeto virtual digitou rápido, escondido, a palavra desobediência, senha do inimigo, e imediatamente caíram as ligações com o Provedor. Do celular o Criador contatou: “Adão, onde estás?” Adão estava com baixa conexão virtual, porque saiu da área do Bem.
O tempo passa, a vida resplandece, a ciência evolui e os educadores continuam sublinhando lições de bom senso, estimulando para o uso correto dos bilhões de neurônios desta árvore da vida para que deem bons frutos. “Toda boa árvore dá bons frutos”.
Tudo neste século será revisto. Em qualquer Era, o que torna os seres viventes capazes de navegar nas águas frenéticas da revolução social e sobreviver, sempre foi e será a educação. Ela é a resposta para os clamores de gerações que se esforçam para transpor as barreiras do imprevisível, descartável, rápido e digital
Vive-se um self service de Eras, no caldeirão científico de todas as Eras, todavia, o cientista não conseguiu criar uma célula, decifrar os mistérios do cérebro nem mapear o universo, mas ousa clonar a obra prima, numa xerox imperfeita.
Como preparar educadores para o uso inteligente das emoções? O que significa ser competente emocional? O homem ampliou e acelerou a tecnologia da informação, todavia, não aprendeu a usar o seu estabilizador emocional – o amor, aparelho com elevada potência de razão, para se harmonizar no equilíbrio.
Onde estão os alfabetizadores emocionais? Eles podem e devem ensinar, desde a mais tenra idade, a reconhecer e administrar as emoções básicas: medo, amor, raiva, tristeza, alegria. Através de histórias, músicas, poesias, danças, parábolas, pesquisas, exercícios, desafios, enfim, tudo isto pode contribuir, evidentemente; o professor, está preparado para desempenhar seu ministério pedagógico.
A formação dos valores fundamentais para se estruturar o ser humano é o caminho para se proteger da imposição tecnológica e garantir autonomia, paz e felicidade; “mesmo na adversidade”, como ensinou Epicuro, “o homem pode e deve ser feliz, se aprender a desviar-se da fatalidade.” Desviar-se da fatalidade é manifestação de competência emocional.
Qual é o perfil do homem que se quer formar? Kant (1724-1804) orientou e sublinhou que “O homem não é nada além daquilo que a educação faz dele”.
Em meio a tantas inovações, tantas perplexidades e neuroses, Carl Jung (1875-1961) faz um alerta no seu livro “O homem moderno à procura de uma alma”. Conclui que: “nenhum homem se cura de uma neurose se não encontrar um significado para a sua vida”.
Fritjof Capra (1939) físico austríaco, escreveu O Tao da Física e outros livros que estão entre os mais influentes dos últimos 30 anos. Ele afirma que a verdadeira crise é a crise de percepção: “Muitos líderes não percebem, ou fazem de conta que não percebem, quais são os verdadeiros problemas deste tempo. A solução para a maioria deles é simples, mas requer uma mudança de foco. E isso é difícil porque significaria sair da zona de conforto, e a maioria das pessoas não tem essa disposição”.
Hugo Hasmann (1933-2008) diz que “É preciso substituir a pedagogia das certezas e dos saberes pré fixados por uma pedagogia da pergunta”. É tempo de duvidar! “Penso,logo existo”? Não! Duvido, logo penso.
Há de se implantar a neuropedagogia, capaz de ajudar a educar as emoções desse homem supernovo, porque a síndrome da comparação social, da pressa, em plena era da ditadura da informação, da beleza, do lucro, podem desestruturar comportamentos.
Edgar Morin, no seu livro Culturas de Massas no Século XXI, afirma: “A cultura de massas estendeu seus poderes sobre o mundo ocidental, produzindo industrialmente os mitos condicionadores da integração do público consumidor”…
A humanidade clama, em todos os níveis e graus, por educadores competentes emocionais para assumir o comando da educação dos cidadãos da era da metainformação. O homem está blogado, conectado, antenado, e não foi educado para selecionar aquilo de que realmente precisa para o seu crescimento pessoal nem se comunicar com sensibilidade necessária para a produção de um mundo pacífico. Este homem pós-moderno precisa ser alfabetizado para dominar a própria leitura emocional e decifrar o painel de emoções do outro, digitando: respeito, paz, união, compreensão, moderação.
Educadores competentes emocionais, aqueles que se exercitam para o uso inteligente das emoções, são, sim, capazes de ajudar o homem a aprender a mobilizar os recursos neurotransmissores da auto-administração e auto-estimular, acertadamente, a química cerebral para reagir positivamente ante as pressões pelo excesso de informações.

Ivone Boechat

Para quem tem mais de 65 anos

 

1 – Tome posse da maturidade. A longevidade é uma bênção! Comemore! Ser maduro é um privilégio; é a última etapa da sua vida e se você acha que não soube viver as outras, não perca tempo, viva muito bem esta. Não fique falando toda hora: “estou velho”. Velho é coisa enguiçada. Idade não é pretexto para ninguém ficar velho. Engane a você mesmo sobre a sua idade, porque os psicólogos dizem que se vive de acordo com a idade declarada!

2 – Perdoe a você antes de perdoar os outros. Se você falhou, pediu perdão? Deus já o perdoou e não se lembra mais. Mas você fica remoendo o passado… Não se importe com o julgamento dos outros. Só há dois times no Universo: o do Salvador e o do acusador. Neste último você sabe quem é goleiro. Continue no time do Salvador.

3 – Viva com inteligência todo o seu tempo. Viva a sua vida, não a do seu marido, dos filhos, dos netos, dos parentes, dos vizinhos… Nem viva só pra eles, viva pra você também. Isto se chama amor próprio, aquilo que você sacrificou sempre! Nunca viva em função dos outros. Faça o seu projeto de vida!

4 – Coma muito menos; durma o suficiente; não fique o dia inteiro, dormindo, dando desculpa de velhice. Tenha disciplina. Fale com muita sabedoria. Discipline sua voz: nem metálica, nem baixinha; seja agradável!

5 – Poupe seus familiares e amigos das memórias do passado. Valorize o que foi bom. Experiências caóticas, traumas, fobias, neuroses, devem ser tratadas com o psicoterapeuta. Não transforme poltrona em divã, ouvido em descarga.

6 – Não aborreça ninguém com o relatório das suas viagens. Elas são interessantes só pra quem viaja. Ninguém aguenta ouvir os relatórios e ver fotografias horas e horas. Comente apenas o destino e a duração da viagem, se alguém perguntar. Aprenda a fazer uma síntese de tudo, a não ser que seus amigos peçam mais detalhes. Se alguém perguntar mais alguma coisa, seja breve.

7 – Escolha bons médicos. Não se automedique. Não há nada mais irritante do que um idoso metido a receitar remédio pra tudo o que o outro sente. Faça uma faxina na sua farmácia doméstica.

8 – Não arrisque cirurgias plásticas rejuvenescedoras. Elas têm prazo curto de duração. A chance de você ficar mais feio é altíssima e a de ficar mais jovem é fugaz. Faça exercícios faciais. Socorra os músculos da sua face. Tome no mínimo oito copos de água por dia e o sol da manhã é indispensável. O crime não compensa, mas o creme compensa!

9 – Use seu dinheiro com critério. Gaste em coisas importantes e evite economizar tanto com você. Tudo o que se economizar com você será para quem? No dia em que você morrer, vai ser uma feira de Caruaru na sua casa. Vão carregar tudo. Não darão valor a nada daquilo que você valorizou tanto: enfeites, penduricalhos, livros antigos, roupas usadas, bijuterias cafonas, ouro velho… prataria preta, troféus encardidos, placas de homenagens. Por que não doar as roupas, abrir um brechó ou vender todas as suas bugigangas, apurar um bom dinheiro e viajar?

10 – A maturidade não lhe dá o direito de ser mal educado. Nada de encher o prato na casa dos outros ou no self-service (com os outros pagando); falar de boca cheia, ou palitar os dentes na mesa de refeições (insuportável).

11 – Só masque chiclete sem testemunhas. Não corra o risco de acharem que você já está ruminando ou falando sozinho.

12 – Aposentadoria não significa ociosidade. Você deve arranjar alguma ocupação interessante e que lhe dê prazer. Trabalhar traz muitas vantagens para a saúde mental, além do dinheiro extra para gastar, também com você.

13 – Cuidado com a nostalgia e o otimismo. Pessoas amargas e tristes são chatíssimas, as alegres demais, também. Elogie os amigos, não fique exigindo explicações de tudo. Amigo é amigo.

14 – Leia. Ainda há tempo para gostar de aprender. A maturidade pode lhe trazer sabedoria. Coloque-se no grupo sempre pronto para aprender. Não se apresente em lugar nenhum dizendo: sou muito experiente!

15 – Não acredite nas pessoas que dizem que não tem nada demais o idoso usar roupas de jovens, cuidado. Vista-se bem, mas com discrição. Cuidado com a maquiagem, se for pesada, você vai ficar horrível.

16 – Seja avó do seus netos, não a mãe nem a babá. Por isso nem pense em educá-los ou comprometer todo o seu tempo com as tarefas chatas de ir buscar na escola, levar a festinhas, natação, inglês, vôlei… Só nas emergências. Cuidado com aquela disponibilidade que torna os outros irresponsáveis.

17 – Se alguém perguntar como vão seus netos, não precisa contar tuuuuuuuudo! Evite discorrer sobre a beleza rara e a inteligência excepcional deles. Cuidado com a idolatria de neto e o abandono dos filhos casados…

18 – Não seja uma sogra chata. Nunca peça relatório de nada. Seu filho tem a família dele. Você agora é parente! Nunca, nunca, nunca mesmo, visite seus filhos sem que seja convidado. Se o filho ligar pra você, não diga: ah! lembrou finalmente da sua mãe? É melhor dizer: Deus o abençoe meu filho.

19 – Cuidado em atender ao telefone: se a pessoa perguntar como você vai e você responder “estou levando a vida como Deus quer”; “a vida é dura”; “estou preparando a partida”; “estou vencendo a dureza”; você vai ver que as ligações dos amigos e dos parentes vão rarear, cada vez mais.

20 – A maturidade é o auge da vida, porque você tem idade, juízo, experiência, tempo e capacidade para se relacionar melhor com as pessoas. Então delete do seu computador mental o vírus da inveja, do orgulho, da vaidade, promiscuidades, cobranças, coisas pequenas e frustrantes para tomar posse de tudo o que você sempre sonhou: a felicidade.

Ivone Boechat

Minha mãe

 

Na floração da vida,
no processo de multiplicação do amor,
semeiam-se no cálice do renascimento
gotas milagrosas do orvalho que germina: Mãe.

Mãe, símbolo de transformações
manipuladas por Deus;
no feliz seio do repouso amigo,
frontes curvam-se das amarguras da vida.

Mãe, muito mais que o fenômeno do conforto,
é complexo harmonioso
que sincroniza ternura e confiança;
simplicidade envolvente no discurso do amor.

Mãe, finalidade motora de corações latejantes,
compasso da música composta
na originalidade do nada-tudo;
é sabedoria justificada e definitiva.

Mãe, rosas vermelhas no canteiro da gratidão;
lágrimas de compreensão,
fluindo das flores do arrependimento,
como chuvas de perdão.

Mãe, coordenação da vida,
no embalo do berço e da saudade;
felicidade resumida no calor do abraço.
Mãe-esperança.

Ivone Boechat

Como conviver com o idoso

 

 

1- Nunca pergunte a um idoso: qual é o segredo de viver tanto assim? Porque a pessoa não vai lhe convencer ou vai dizer que não sabe a resposta. Quem vai adivinhar como se vive anos e anos, com tanta virose, corrupção, mentira, tapeação, bala perdida, exploração… ruindade!
2- Nunca telefone ou visite um idoso entre 12:00h e 16:00h. TODO idoso gosta de descansar nesse período sagrado.
3- Jamais conte um problema ao idoso. Ele vai poder ajudar? Também não seja o problema do idoso: é covardia. Ele não vai ter como se defender.
4- Nunca interfira na decisão do idoso: se ele decidiu ser enterrado ou cremado. Não fique reclamando do preço da cremação, do túmulo..Nem fique agourando e perguntando o que a família deve escrever por cima do túmulo.
5- Nunca diga ao idoso: essa história você já me contou dez vezes. Diga a ele que a história é interessante e o ajude a resumi-la. Ele vai entender que a história é conhecida!
6- Não estimule o idoso a se lembrar de um fato que lhe cause sofrimento. Desvie sempre a tristeza para o lado bom de tudo.
7- Não explore a disponibilidade do idoso, lembre-se que ele já trabalhou muito e hoje não tem mais resistência, saúde e vigor para tomar conta de problemas e cachorros… dos outros. Deixe em paz o cartão bancário com o pagamento da minguadíssima aposentadoria. Vai à luta!
8- Mude o canal da TV quando o assunto é desgraça!
9- Ao visitar o idoso, leve algo que lhe faça bem à saúde: boa conversa, estímulos, boas notícias… palavras cruzadas, linha para crochê… uma fruta que ele possa consumir… um livro. Nas festas de aniversário e Natal, seja criativo! Chega de tanto pijama e chinelo.
10- Lembre-se: a pessoa idosa tem todo direito à felicidade e não vai ser você que vai atormentar os derradeiros dias da vida de ninguém. Exercite a gratidão, o perdão, a solidariedade e chega de despejar lixos de traumas, tristezas antigas e carências na caçamba que a vida cismou de colocar na porta de quem lutou tanto para resistir às intempéries.

Ivone Boechat

Mãe


Mãe, morada primeira do ser que se candidata à vida,
tabernáculo de admissão ao mundo,
onde a alma ganha corpo e este a liberdade: laboratório de Deus.
Mãe, braços quentes, colo farto, serenidade e amor,
elo que liga a corrente da união que gera força,
criatura frágil que traduz o mistério da vida no ventre e
se deixa fortalecer na grandeza da maternidade.
Mãe, missionária aventureira das poeiras do passaporte da vida,
calor que faz pulsar corações,
nas oficinas mecânicas de suas entranhas:
doce milagre de oferecer o conforto da possibilidade de existir.
Mãe, altar edificado no desencontro,
especialista da seção de achados e perdidos,
estandarte branco da paz pendurado na janela do perdão,
companheira anônima na estrada sem retorno do amanhã.
Mãe, você plantou esta flor que hoje lhe oferecemos, no seu Dia,
tivemos a alegria de trazê-la,
é homenagem com o cheiro das manhãs radiosas que você regou de lágrimas, orando por nós.
Deus ouviu. Ele escuta as mães que oram com fé.
A resposta está aqui, porque viver é uma graça, é um milagre.
Estamos vivos e com saúde para abraçá-la.

Ivone Boechat

Mãe, seja uma TV a cabo do BEM

 

 

Mãe – seja uma tv a cabo do bem!

É muito triste, sim, assistir pelos meios de comunicação, em “tempo surreal”, um episódio como esse que jornais do mundo inteiro estampam, quando um jovem, com sério transtorno de comportamento entra, intempestivamente, escola adentro e mata crianças em sala de aula. É dolorida essa aula! É uma aula salpicada de sangue, banhada em lágrimas. No mesmo dia, repórteres perguntam aos alunos sobreviventes, aos professores em estado de choque, aos pais horrorizados, que lições pode se extrair do fato. Todos dizem em uníssono: ficamos mais unidos, estamos solidários, nossa dor é uma só.
Isso faz lembrar quando o furacão Wilma arrasou uma cidade americana e os repórteres faziam perguntas aos sobreviventes. A resposta de uma senhora ficou gravada:“Com o furacão, tive o prazer de me aproximar da minha vizinha de muitos anos; ela me viu aflita e me ofereceu uma xícara de café”.
O brasileiro é solidário sempre, mas a exemplo de muitos cidadãos do planeta, vem adotando um estilo de vida preocupante, ultimamente, tem se isolado. Será que é preciso um furacão, um terremoto, um tufão, uma chacina para as pessoas se unirem, se conhecerem, se amarem? E oferecerem uma xícara de café ao vizinho ?
Atitudes equivocadas contribuem para a educação equivocada. O mau uso dos meios de comunicação tem sido um terror no universo humano. É um dragão que se aperfeiçoa para ajudar a destruir o equilíbrio emocional. A criança chega à escola ainda bebê, muitos chegam de fraldas e dão de cara com uma escola atropelando os princípios que fundamentam as emoções. A escola tem o som, todavia, não respeita o limite da capacidade auditiva humana: o som é altíssimo. A escola tem computadores e os supervaloriza, em detrimento das brincadeiras, das músicas brasileiras, das histórias, das poesias, de dramatizações, do folclore, dos jogos no recreio. Recreio? Cadê o recreio?
O Brasil é uma potência em alguns aspectos, mas tem contrastes sociais de submundo. A educação envergonha essa nação perante os olhos do mundo.
Não se têm recursos para acabar com a violência, porém, pode-se educar para reduzir o gosto por ela. Há canais de tv que estão se transformando em delegacia de polícia, ao vivo, dentro da casa daqueles que veneram a violência. Isto adoece o imaginário e traz transtornos de comportamento. Serve também de universidade do crime. Forma bandidos. Faz escola.
Andrew Oitke, professor da Universidade de Harvard, publicou o livro Mental Obsety, e denuncia que “A nossa sociedade está mais sobrecarregada de preconceitos do que de proteínas”. E afirma que “É hora de refletir sobre os nossos abusos no campo da informação e do conhecimento, que parecem estar dando origem a problemas tão ou mais sérios do que a barriga proeminente. ‘Profissionais da informação’ vendem gordura trans em excesso”.
Oitke demonstra preocupação com essa ‘alimentação intelectual’ tão carregada de adrenalina, romance, violência e emoção. “É possível supor que esses jovens jamais conseguirão viver uma vida saudável e regular. O homem moderno está adiposo no raciocínio, nos gostos e nos sentimentos. O mundo não precisa de reformas, desenvolvimento, progressos. Precisa, sobretudo, de uma dieta mental”.
Mãe, lute para reduzir a comunicação da desgraça dentro de sua casa. Seja uma tv a cabo do bem e não reproduza desgraça nenhuma:na hora das refeições, nas festas da família, nos encontros do shopping, nos arredores dos templos… Não superdimensione o crime, a hecatombe, o tsuname, não se transforme numa assombração a serviço da mídia pererê, ensinando que o mundo está no fim. Não pegue um caso isolado e o generalize.
Nunca se viu nada igual a essa matança mundial nas escolas, nenhuma nação está livre disso. Não fique então martelando que as escolas agora não têm segurança, que o mundo está perdido. Não deixe seu filho, seu neto, ninguém aterrorizado, achando que isso é sempre assim, uma coisa normal, mas, sobretudo, eduque para que se aprenda a usar a metainformação, selecionando tudo de bom e maravilhoso que existe nessa Terra linda. “Do Senhor é a Terra e a sua plenitude”.
O mal não vencerá o bem. Então faça a sua parte!
Ivone Boechat

Ano Novo

O ANO NOVO sempre é
uma caixa misteriosa de oportunidades, dias, novidades, lágrimas, esperanças, guardada com 365 papéis, longe da curiosidade humana. Por mais que se esforcem para olhar, além dos minutos que os rodeiam, a visão está nublada por empecilhos das noites e das dúvidas. Somente as horas se encarregam de abrir as páginas da vida.
A eternidade do tempo, sem medida nem conta, caiu na balança dos homens e desbotou-se na ferrugem de sua limitação. O ano ficou velho! É uma vingança deste ser, consciente da mortalidade, sobre o imorrível ANO NOVO, sempre.
Não importam os calendários velozes e passageiros. A peregrinação pela estrada da vida conduz ao intransferível fim. Morre-se com os segundos. É necessário, portanto, repensar o tempo e recriar a vida. Ambos caminham imprevisíveis e horizontais.
Quando as flores se curvam ao peso do orvalho ou se cansam do colorido jardim; quando os pássaros se confundem na revoada e nos cantos, há prenúncios de transformações e mudança. Nada ficou velho: os vôos se reabastecem na distância, as vozes se afinam em lágrimas, e as flores adormecem em pétalas, junto aos caules, para alimentar o resplandecer dos botões.
Neste ANO NOVO, que se faça o balanço das atitudes, subtraindo, na contabilidade da vida os fatores geradores de débitos para com o próximo. Na prestação de contas deste ano, que os prejuízos sejam pagos em doze novas prestações de amor.

Ivone Boechat

Era das comunicações?

 

 

A Era da metainformação que se iniciou no Éden sempre foi e será uma faca de dois gumes. Depende de quem a usa… O que se vê hoje é a mesma apologia do mal; do feio; do indigno; do transtorno; também generalizado na tv a cabo da língua, mal usada, solapando para semear a dúvida e tirar a esperança. Pode-se reverter pela educação. Não com a educação adotada para emburrecer e encurralar. De um modo comum é assim: faltam eleitores no curral? Então, mãos à obra para produzir mais… mentiras.
É um grande perigo a comunicação mal usada. Com tantos recursos e instrumentos de comunicação, a responsabilidade do educador se amplia. Quem escuta, vê e lê o que se fala ao vivo, olho no olho, é uma coisa. Tem entonação, sinais faciais, nuances, ritmo, timbre, gestos, emoção e tudo isto é poderoso para dar o tom, a direção, a intenção, a compreensão. Quando se passa um e-mail, quem o que recebe, dá a interpretação dele, jamais igual a que saiu, porque ao chegar lá é travestido pelo olhar cultural e pela carência, não mais do próximo, mas do outro, longínquo.
Deve-se ensinar a comunicação simples, sem trejeitos, sem entrelinhas, para que o outro leia com objetividade e sem chance de desconfiar e dizer: o que tem por detrás disto?
As aulas e as mensagens pela tv, pela Internet, passam pela revisão da percepção visual do ouvinte e chegam à racionalidade totalmente filtrados pela emoção. A simplicidade de tudo o que se comunica pode ajudar a reverter muitos conflitos pessoais/digitais.
Com a força e a sedução da comunicação e a necessidade social de modelos, a comunicação deita e rola por cima dos conceitos morais e religiosos de cada um. Ela faz e desfaz contextos. Ela usa tanto e tão bem o espaço, que deixa a impressão de que o desajustado é aquele que não adotou o que ela dita como regra. Muitos se culpam e se discriminam com um ser fora de moda, ultrapassado.
Esta é a Era da mentira! O pai da mentira todo mundo sabe quem é? Não sabe? Ele é dissimulado, insistente, mascarado, iluminado, se apresenta como “um anjo de luz” para enganar, perverter e conquistar, se pudesse “até os escolhidos” O escolhido é você, somos nós, premiados para viver “num país tropical, abençoado por Deus”, fantástico, lindo, mas, infelizmente, desgovernado. A geração que está chegando agora, com a mochila e a bolsa de fraldas para a matrícula numa escola, com alguns meses de vida, precisa urgentemente de educadores para iniciar a obra educacional já com atraso. O Brasil estampou uma estatística ridícula de todos os tipos de analfabetismos nas costas da sociedade, porque o resultado do fracasso respinga em todos os setores. Se a educação é abaixo da crítica… o que dizer da autocrítica?
Há esperança, mas falta coragem. Lares, igrejas, escolas, ongs do bem, precisam tomar a posição na dianteira para afastar minorias do mal, barulhentas, mas empreendedoras que pretendem ocupar o vazio da falta de diálogo em casa, das regras equivocadas em nome da religião, do currículo distorcido das universidades, das propostas indecentes e do assédio imoral da pedagogia de certas escolas. Sobram professores, faltam educadores!

Ivone Boechat

É guerra

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É guerra! As pessoas ficam muito preocupadas com o advento de uma guerra mundial Quando será? Quando o mundo vai acabar? O que acontecerá, e quem escapará? Se você parar um pouco para analisar a situação do mundo, hoje e sempre, em todos os setores, a conclusão é que sempre estivemos em guerra: individual; grupal; nuclear; atômica; e a guerra de informações que mata conceitos, idéias, religiões, sonhos e sai deformando o que encontra pela frente. A informação cria factóides, deturpa, derruba, mas também recupera monstros arquivados sobre processos esquecidos e guardados. O jornalismo tem o lado positivo: é a única oposição do planeta! Os partidos políticos se nivelaram…

O mundo acaba e começa todo dia! Os que esperam um grande estrondo para o começo do fim, ou mais dores alheias, algum fato extraordinário, é só acompanhar o que se passa no mundo, porque há fatos extraordinários e coisas impossíveis acontecendo de segundo em segundo, e dores, guerras, rumores de guerras. Não há escassez de estrondos nem de mortes. Há pessoas surdas, que nem percebem estrondos, e insensíveis que não se apavoram com todo tipo de morte.
“E neles se cumpre a profecia de Isaías, que diz: Ouvindo, ouvireis, mas não compreendereis, e, vendo, verei, mas não percebereis” Mateus 23:14.

As armas desta grandiosa guerra são visíveis e invisíveis. Faz-se pacto virtual de amor e ódio. Disseram os profetas que os homens fariam sua casa nas estrelas. Não só as fizeram como as visitam, periodicamente, para supervisionar o arsenal ali instalado. É o começo do fim? Ora, se é o começo, então já estamos dentro, e muitos não sabem. Felizmente, na batalha da educação há milhares de soldados inscritos pelejando, mas “a seara é grande”.
A tecnologia está equipada com poderosos recursos a serviço da destruição, porque as verbas destinadas à guerra são infinitamente maiores do que as reservadas para a promoção e a preservação da paz. Os valores para o julgamento das nações estão fundamentados no poder de guerra. Existe concorrência internacional para a escolha do mais armado. E quem sai ganhando, de longe, é a guerra da mentira nas informações.
A classificação da melhor potência é baseada na economia. O Brasil é a 6ª potência econômica ou seja, dinheiro ele tem para a sociedade viver no conforto geral e até para rasgar nota de cem. Ele não precisa de esmola de bolsa disso ou daquilo. Basta implantar a educação. Esta, sim, igualiza, democratiza e promove o desenvolvimento. Por que não se estabelecem salários dignos, aposentadorias leais, ao invés de expor as pessoas correndo atrás de bolsas? Todavia, corre-se atrás de tudo: hospitais; escolas; segurança; com o bandido correndo atrás. Nessa olimpíada, o troféu é daquele que tem espaço maior e melhor para mentir.
O mundo acaba toda hora! Basta precisar de uma ambulância, de vaga na UTI, de escola para um filho especial. A qualidade da educação denuncia o fim do mundo dessa criança e de sua família. E pior, se é que pode existir coisa pior: o contribuinte eleitor se apaixona pelo político algoz e o reelege para mais quatro, oito anos e sempre! Quer saber mais? Tem saudade dos corruptos… ”Rouba, mas faz”
Tudo ao redor cheira à transitoriedade, à mudança; razão pela qual ameaçar e amedrontar são verbos muito conjugados por aqueles que dominam pela mentira. Em meio a tantos desafios, o ser humano se embaraça nos labirintos do caminho que não soube construir e morre no corredor do hospital. Quando tem vaga, geralmente, o fim do mundo é do lado de fora, esperando. A família não pergunta mais como vai o doente. Pergunta para onde foi o doente. De vez em quando some um.
A Escola deve insistir no despertamento da sensibilidade e na formação de cidadãos educadores. Que a proposta pedagógica tenha objetivos alcançáveis, e que se deixem de lado os recursos antididáticos eleitoreiros, para que em meio a tantos desentendimentos se estabeleça a compreensão, o recomeço, o diálogo, a ética.
Muita atenção aos currículos, programas, planos, livros didáticos, e, sobretudo, à postura do educador, que inconsciente, vem usando a sua magia para formar poderosos soldados desta guerra, nada fria, no meio da paz quente que se inicia, quem sabe, dentro da sala de aula?

Ivone Boechat