O ASPECTO LEGAL DO PECADO

evil justiceDe acordo com o texto sagrado, pecado é a transgressão da lei (I João 3:4). Outra versão do texto usa a palavra “iniquidade”. O conceito de iniquidade é tornar normal o que é pecado, não sentir culpa pelo pecado cometido, de tanto uma pessoa cometer o mesmo pecado ou coisa errada, não se arrepender,  pois já acha o que fez absolutamente normal. A versão americana NLT é bem explicativa: “Todo aquele que peca está  quebrando a lei de Deus,  porque todo pecado é contrário à lei de Deus.

Uma transgressão é configurada a partir da ciência da lei pelo indivíduo, baseada na fidelidade de sua interpretação pessoal em consonância com a incorporação de valores pessoais, ou seja, o indivíduo somente será responsável pelo conhecimento adquirido. De certa forma, o homem já nasce com um código de ética embutido no coração; ou seja, está nele uma natural intuição do que é certo ou errado, sem a necessidade de um prévio conhecimento da lei. Por ex. não é necessário conhecer a letra da lei para saber que matar ou roubar é errado. A transgressão da letra da lei ordena a condenação, porém o que legitima a condenação é a culpa do transgressor. Pecado não é a transgressão da letra da lei e sim a sua transgressão voluntária;  porque é possível transgredir a lei sem ter  culpa – e sem culpa, não há punição. Transgressão sem culpa não é pecado. O erro é um resultado do pecado universal, mas errar nem sempre é pecado. Todo pecado é um erro, mas nem todo erro é pecado. Tropeçar numa quina é um erro, mas não é um pecado. Errar um cálculo também não é um pecado. O erro pode gerar um pecado, dependendo da reação do sujeito, por ex. você pode errar o cálculo ao tentar pular uma poça d’água e cair no meio dela – o que falar em seguida pode gerar um pecado. Acidentes não causados por negligência, são erros que não devem ser punidos, pela ausência da culpa. Neste caso, é possível matar alguém sem cometer o pecado do assassinato. É inegável que a vítima de estupro teve uma relação sexual ilícita; pela letra da lei deveria ser punida porque o ato foi consumado, mas a ausência da culpa leva a vítima a absolvição, uma vez que não ficou configurado o pecado do adultério voluntário. Você pode tirar um produto do mercado sem pagar por ele, sem ganhá-lo e ainda não cometer o pecado do furto; basta o funcionário Caixa olvidar o seu registro. É possível trabalhar no sábado sem transgredi-lo – basta ajudar alguém em situação de emergência. Também é possível mentir sem pecar – basta dar uma informação equivocada com sincera convicção – porque tudo o que não é a exata expressão da verdade passa a ser o seu oposto. Não existe uma verdade parcial. Uma omissão consciente equivale a uma transgressão absoluta. Você pode desobedecer a seus pais sem transgredir o quinto mandamento – basta recusar um pedido de comprar cigarro ou droga na esquina. Enganar-se também é um erro que não implica em pecado, desde que não seja causado pela omissão do conhecimento. Uma transgressão causada pela desatualização do conhecimento, pelo medo da posterior responsabilidade é considerada pecado. Racionalizar uma transgressão não é o mesmo que justificá-la, e pode induzir à ratificação da culpa.

Portanto, jamais o individuo deve apegar-se somente à letra da lei. Essa foi a intensa luta de Jesus Cristo com os doutores da lei e fariseus do Seu tempo. Ele, o próprio Legislador,  veio dar a devida interpretação ao real sentido da lei; porque a aplicação da lei não está encerrada num pacote fechado e acabado de procedimentos comportamentais fixos. Para estabelecer a justiça na apuração da culpa, é preciso que a interpretação da lei esteja baseada numa análise criteriosa dos fatos que circundam uma transgressão, confrontados com o conhecimento do transgressor. O radicalismo e fundamentalismo exacerbado levam à intolerância religiosa pela lei distorcida, a grande responsável por  massacres ao longo dos séculos. Porém, antes de julgar qualquer caso, esteja ciente de que somente Deus, o Criador, tem o poder de fazer a leitura necessária para a apuração de uma verdade. O homem não tem a capacidade de fazer tal leitura, então utiliza-se da tecnologia e de toda uma parafernália  de recursos forensicos de  investigação criminal para se chegar a uma verdade, às vezes equivocada. Não é em vão que a justiça humana é chamada de “trapos de imundícia”. Submetamos nossa vida ao grande Deus, o Criador do universo e  juiz de toda terra. É Ele mesmo que graciosamente diz a você e a mim hoje: “Eu, eu mesmo, sou o que apago as tuas transgressões por amor de mim, e dos teus pecados não me lembro”. Isa. 43:25

Por: Rubens Silva

PEQUEI… de novo!

pequei de novoVivemos num mundo complicado, rodeados por nuvens de tentações de todos os tipos, onde precisamos estar em guarda permanente das entradas de nossa alma. Mas precisamos reconhecer que, mesmo sendo cristãos, às vezes caímos, ficamos desanimados, decepcionados e até deprimidos pelos erros que cometemos. O pecado nos separa de Deus, e o inimigo se aproveita de nossas fraquezas e quedas para nos manter no solo. Mas não precisamos ficar no chão!  Jesus Cristo sempre toma a iniciativa e estende Sua mão em nossa direção,  nos oferecendo o Seu gracioso perdão. As duas naturezas que recebemos ao nascer continuará em luta ferrenha pela supremacia, vencendo aquela que for mais alimentada; e assim será até a volta do Senhor, quando Sua igreja passará da categoria de militante para a de triunfante, e nós receberemos uma eterna natureza glorificada. Portanto, não devemos focalizar a atenção em nossos erros e fracassos. Em vez disso, devemos olhar para a cruz de Cristo e nunca desanimar da fé,  porque foi Ele mesmo Quem prometeu: “…e o que vem a mim de maneira nenhuma o lançarei fora.” João 6:37. Podemos perder algumas batalhas, mas temos a certeza de que a guerra já foi ganha na cruz do calvário! Em nome de Jesus podemos ser mais do que vencedores e nunca desistir,  porque “aquele que perseverar até ao fim, esse será salvo.” Mateus 24:13.  Amigo, jamais permita que suas fraquezas te afastem dos caminhos de Deus.
Fazendo um balanço no final do dia, comecei a enumerar todas as minhas ações. Fiz coisas boas como orar, escrever, ler a Bíblia, dei uma esmola na cidade, ajudei meu vizinho da frente, fiz caminhada, mas a lista logo chegou ao fim. Então vieram as coisas más, como xingar escondido, pensamentos ruins, *#$%!@, falar mal de alguém, kyrbgyrpxm, comi demais, 6HÜ&*Ln, senti inveja, utmw#&)@, raiva no trânsito, ft&$m¨8b,… – desisti de contar. Sentado ali no sofá da sala, vi minha sombra projetada na parede e confesso que fiquei com vergonha da sombra. Fiquei bem chateado comigo mesmo; pensei em orar mas não tive coragem – que vergonha! Eu estava sozinho em casa. Levantei-me dali pedindo desculpas em voz alta e fui para a cama. Me virava de um lado para outro, por horas, incomodado com aquela lista indesejável – simplesmente não conseguia dormir com aquele constante peso pela culpa que me torturava a mente. De repente, ouvi uma voz suave, como se fosse meu anjo falando comigo – e um diálogo se seguiu:
ANJO: eu vi tudo o que você fez, mas durma tranquilo… sua oração foi atendida;
RUBENS: mas eu nem orei!;
ANJO: quando você fazia a lista das coisas boas, eu fiquei preocupado porque percebi certo orgulho da sua parte, mas quando
você começou a enumerar seus erros, pude ver no seu semblante e no coração, o seu pesar, a sua tristeza… vi que você
estava realmente arrependido;
RUBENS: mas eu estava com tanta vergonha de Deus que não tive coragem nem de orar;
ANJO: eu lia o seu coração naquele momento. Sentei do seu lado e te abracei ao ver a sua intensa luta – por isso estou
aqui, vim te acalmar…;
RUBENS: eu não deveria ter feito aquilo… vou pedir perdão agora mesmo!;
ANJO: Meu filho, quando você se levantou do sofá, eu ouvi aquele seu brado e te perdoei naquele momento! Durma tranquilo…
já apaguei a sua lista, sou Jesus Cristo.
RUBENS: Obrigado Senhzzzzz…

Por: Rubens Silva

CUIDADO COM A VITÓRIA!

arrogante 2Fui terrivelmente tentado mas não caí. Amém! Fui terrivelmente tentado e caí, arrependi-me, pedi perdão e levantei-me. Amém! Existe uma tendência de se julgar, condenar, rotular e colocar no inferno pessoas que erraram ou que lutam para vencer algum pecado que os escraviza. Toda vez que censuro meu irmão, estou me colocando acima dele e no lugar de Deus. Se a admoestação não for motivada por amor, não tenho o direito e nem a autoridade para dirigir-me a qualquer errante sofredor. A intolerância religiosa e a má interpretação do texto sagrado tem sido uma triste realidade em algumas comunidades cristãs e feito um grande “gol-contra” o evangelho. O pecado é injustificável, porém Deus ama o pecador e nenhum pecado é grande demais que Ele não possa perdoar. Da mesma forma, nenhum pecado é pequeno demais que não necessite do perdão de Deus. Tanto uma “inocente” fofoca como um escandaloso adultério são igualmente ofensivos diante de Deus. Talvez você não cometa o “grande” pecado que o seu irmão andou cometendo, mas aquele “pecadinho” que só você sabe, não passará batido diante do Juiz de toda terra no dia final de ajuste de contas. Essa visão honesta e cristã nos livra da arrogância espiritual e nos mantém compassivos e misericordiosos para com os “mais fracos” na fé. O homem não peca porque ama o pecado e sim porque é pecador. O salmista já dizia: “Eis que em iniquidade fui formado, e em pecado me concebeu minha mãe.” Salmos 51:5. Mesmo o apóstolo Paulo lutava contra suas inclinações naturais. O que transforma vidas é o testemunho de alguém que teve a coragem de admitir que foi alcançado pelo evangelho após uma vida de quedas… e quem não as tem?! O próprio Deus não teve “vergonha” de deixar relatada em Sua Palavra a vida pregressa dos grandes personagens bíblicos, porque sabia que essa seria a  forma eficaz de fazer valer a cruz de Cristo e levar esperança ao pecador. Tenha muito cuidado ao contar suas vitórias para que esta não se transforme em velada vaidade pessoal, o que irá anular sua vitória. Depois da grande vitória do Carmelo, o profeta Elias precisou curvar-se e colocar a cabeça entre o joelhos sete vezes para que sua oração fosse atendida. Isso porque o orgulho pela vitória alcançou o coração do profeta. E Deus não o atendeu enquanto não despiu-se de toda vanglória e soberba(I Reis 18). Evite o exibicionismo espiritual e seja honesto no seu testemunho pessoal. Entenda humildemente que mesmo após uma grande vitória, é possível nova queda. Abandone o falso moralismo, admita que é pecador e que depende da graça de Deus para suas vitórias. Perfeito diante de Deus não é aquele que jamais peca e sim aquele que está perdoado.

Por: Rubens Silva